A INFLUÊNCIA DAS PESQUISAS ELEITORAIS NA PRÁTICA DO VOTO

 

Por: Rafael Luiz

Fonte: TSE

Outubro em ano de eleição. E eis que, em uma noite de Domingo, o TRE divulga os números finais das eleições que se sucederam nas inúmeras cidades brasileiras. Televisões, rádios, internet e toda a imprensa de um modo geral, no decorrer das campanhas e até mesmo no momento em que acompanham as apurações, divulgam simultaneamente resultados de pesquisas eleitorais realizadas até no mesmo dia da eleição, inclusive. As comparações dos números dos Institutos de Pesquisa com os resultados das urnas são comemoradas quase sempre com alvoroço pela mídia que a contratou quando há similaridade de números. Mas por que isso acontece? Será que é realmente viável o eleitor saber quais candidatos estão bem cotados perante o público? O trabalho desses Institutos de Pesquisa nos influencia em escolher o melhor voto para a cidadania? Sobre tal questão, o Deputado Federal Henrique Fontana (PT/RS) apresentou à Câmara em 2008, um projeto de Lei que veda a divulgação de pesquisas eleitorais, por qualquer meio de comunicação, no período de 30 dias que antecede ao pleito até o encerramento da eleição. Como justificativa do referido projeto, consta-se o óbvio: Não se pode minimizar os efeitos causados por estes Institutos de Pesquisa ao eleitorado, sobretudo nos “indecisos” e também àquela grande parcela que utilizam o “voto útil”, ou seja, votam naquele candidato que tem mais chance de vitória. O Deputado afirma ainda que, apesar de haver acuradas técnicas estatísticas para realização das pesquisas, nenhuma amostragem é suficientemente infalível para demonstrar a vontade do eleitor. E por fim, destaca que a mera divulgação de pesquisas em períodos próximos à eleição pode confundir o eleitor, encorajando-o a votar em determinado candidato bem cotado pela pesquisa ou dissuadindo-o a fazê-lo, por não acreditar que o mesmo possa ser eleito. Ao nos depararmos em conversas sobre política, raras e quase sempre não muito bem discursadas pelo povo (infelizmente), percebemos que isso realmente acontece. Por várias vezes, ouvimos a frase que mais resume a influência das pesquisas eleitorais nas nossas desisões: “gosto do candidato X, mas como ele não tem chance, voto Y”. E assim, como um efeito multiplicador, os votos vão se distribuindo cada vez mais, entre um, dois, ou no máximo, três candidatos mais cotados pelas pesquisas. Os Institutos de Pesquisa têm sim sua própria defesa. Teoricamente, cumprem o papel de levar informação do panorama eleitoral. Mas por que seria isso importante sabermos? Ora, os Institutos de Pesquisa se focam em opinião pública e não se preocupam em pesquisar a ética, a história, as lutas e os lemas dos candidatos. Estejamos, como bons eleitores, atentos a isso. Mais importante que pesquisar opinião pública é pesquisar os antecedentes dos candidatos. Infelizmente não temos Institutos de Pesquisa que trabalham com isso. E sobre o nobre Projeto de Lei do Deputado Henrique Feitosa? Encontra-se arquivado na Mesa Diretora da Câmara dos Deputados.

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