Mubarak amazônico?

Por Arthur Nascimento

Não poderíamos abrir esta edição sem falar do assunto mais comentado em nosso estado na última semana e um dos mais citados nas redes sociais. Assunto esse que rompeu fronteiras e esteve presente em grandes veículos de comunicação Brasil afora.

Gostaríamos que este assunto fosse bom, que nossa região fosse lembrada de forma positiva pelo resto do Brasil. Infelizmente não é. As declarações exaltadas do ex-governador do estado e hoje prefeito de Manaus, Amazonino Mendes repercutiram nos sites UOL, G1, IG, Terra, Estadão, Correio da Bahia e Diário do Pará, além de ser um dos assuntos mais comentados no twitter. Nada mais justo que nós, amazonenses também déssemos espaço ao ocorrido.

Após discutir com uma moradora de uma área de risco na comunidade Santa Marta, zona norte de Manaus, o prefeito Amazonino Mendes não gostou da postura da moradora e proferiu a polêmica frase: “Então morra, minha filha! Morra!” O que já não estava bem, ficou ainda pior. Ao perguntar de onde é a moradora, ela responde: “Do Pará” ele diz: “Então pronto, está explicado”…

Somos conhecedores que amazonenses e paraenses possuem histórias de chacotas e problemas sociais entre eles. É triste e vergonhoso quando isso ultrapassa todas as barreiras e se torna um preconceito inútil. Independente de raça, cor, origem, preferencias sexuais, e credos, o que deve prevalecer é o respeito uns aos outros.

Envolvido na política desde 1983, quando assumiu a prefeitura de Manaus, Amazonino Mendes não parou de se envolver em confusões. Em 1997, a revista Veja publicou “Pororoca de Escândalo”. Na matéria a revista levanta várias acusações ao então governador, tais como a de ser ele o verdadeiro proprietário da construtora Econcel e de estar ligado ao assassinato do empresário Samek Rosenski, dono da fábrica de relógios Cosmos, assassinado em São Paulo. Ainda em 1997, a revista Isto É publicou a matéria “Faroeste Amazônico” onde acusa Amazonino de envolvimento com o narcotráfico na região Norte.

Neste ano onde os protestos no Egito e críticas ao ditador Hosni Mubarak acarretaram na renúncia do chefe de estado, nos deparamos aqui, com um assunto polêmico envolvendo um dos políticos mais antigos do Amazonas. Em qualquer país, um pouquinho mais sério que o nosso, Amazonino Mendes já teria sido forçado a renunciar, mas como estamos falando de Brasil, isso vai passar em branco, como muitas coisas passam no país inteiro, até serem esquecidas pela sociedade. Seria Amazonino Mendes uma espécie de Mubarak amazônico?

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