De onde você é? Então tá explicado!

Por Tiago Gabriel

Nas últimas semanas intensificou-se o debate e a disputa envolvendo paraenses e amazonenses, esses, infelizmente, retratando os defeitos vistos e evocados tão somente pelos residentes em Manaus.

Não querendo entrar nos méritos e nos erros do prefeito, até porque esse assunto já foi saturadamente debatido na sociedade, de diversos ângulos, mas sim da forma como os paraenses são historicamente rotulados e dos exemplos a serem seguidos pela população.

Há aproximadamente 4 anos ocorreu um assassinato em uma região periférica da cidade, dos tantos outros ocorridos diariamente, esse bem emblemático devido as circunstâncias em que ocorreu. Uma pessoa completamente fora do seu estado de sã consciência matou outra devido a mesma ter-lhe chamado de paraense.

Ora, em outras épocas e em outras regiões do país, ser chamado de paraense representaria um motivo de orgulho. Os paraenses são pessoas valorosas e de encontro ao comportamento de grande parcela da população amazonense, manauara em sua grande maioria, não agem como o mesmo espírito e estilo de vida sulista que queremos incorporar.

Para comprovar certas afirmações, basta visitar ou simplesmente perguntar de um paraense quais os principais produtos (tangível e intangível) que os mesmos agregam em seu cotidiano. Enquanto os amazonenses tentam se adequar aos costumes das regiões midiáticas do país, os paraenses procuram desenvolver social e economicamente a própria terra valorizando seus costumes e bens materiais e culturais.

Enquanto se está comemorando a vitória do Flamengo e comentando a chegada da final do campeonato paulista, os paraenses estão fazendo a sua parte e lotando os estádios, vestindo a camisa e torcendo por Remo e Paysandu, para que os mesmos venham a disputar grandes competições nacionais e internacionais. Culpar os times da terra pelo baixo nível de qualidade e expressão é assumir um atestado de hipócrita. Se não investe não tem retorno. Não só o investimento financeiro, mas o emocional com a presença do torcedor no estádio, afirmação comprovada cientificamente.

Falar que a culpa pela violência crescente no estado é dos paraenses, é tentar justificar a incompetência para cuidar de questões sociais e a incapacidade de escolher bons políticos, membros executores de melhorias sociais.

Outro exemplo é a Cerpa, famosa cerveja originária do estado do Pará, é bastante consumida por seus conterrâneos de encontro a Bohemia, Heineken e Skol dos amazonenses. Enquanto o paraense viaja para a Ilha do Marajó com a imensurável felicidade de quem vai contribuir com o desenvolvimento da região, o amazonense viaja para Fortaleza ou Rio de Janeiro, passa duas semanas e já tenta incorporar ao vocabulário as gírias e o sotaque  – “NÓIS” (Com “I”), “IREMOSSS”, “DOISSS RÊAISSS”-, além de depreciar e omitir a sua origem, em um latente sinal de desprezo e vergonha. Assim como a famosa e admirada  banda Calypso de encontro ao Boi Bumbá, ritmo mais idolatrado por residentes de outros estados que pelos próprios amazonenses, assim como tantos outros exemplos que consumiriam um extenso texto.

Não se quer obrigar a adesão da moda da terra, até porque todos possuem consciência crítica e direitos garantidos por lei, como a liberdade de escolha, mas sim levantar alguns pontos que retratam a verdadeira diferença dos comportamentos dos moradores dos dois estados diante de ações que convergem numa pseudo-realidade só vista por determinados  pontos de vista impactados por bloqueios visuais e dificuldades de percepção. O que não impede que possamos consumir novos produtos de outras regiões, mas que sejamos mais atentos ao que é da terra.

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