Centro de Manaus: Um Choque de (des)ordem

Por Tiago Gabriel

Segundo a lógica existente no mundo, a tendência das organizações, processos e práticas é, com o passar dos tempos, vir se modernizando e otimizando a qualidade de vida dos membros integrantes de uma população, através da evolução tecnológica e experiências adquiridas na operacionalização de atividades.

Passado seus 341 anos, Manaus parece que não obedeceu a essa lógica. O Centro, a região mais antiga da cidade, parece que passou pelo processo inverso ao de modernização, com exceção de algumas características da evolução do mundo – carros, ônibus, poluição e redução das características históricas e naturais-, conseqüências do crescimento urbano.

Dos tempos áureos da borracha, no qual Manaus passou por uma de suas melhores fases de desenvolvimento, onde a cidade foi a primeira do Brasil a ter iluminação pública, uma das mais ricas e belas cidades do país, na qual o sistema de transporte e esgoto era eficiente, além de ser a primeira a possuir uma universidade pública federal, muita coisa mudou.

Hoje, o cenário é completamente diferente. O Centro está em estado de abandono. Os prédios característicos da época de ouro dessa terra estão dando lugar a construções modernas para os padrões de hoje, mas sem a beleza imponente daquela época. Isso quando os prédios não estão caindo aos pedaços, condicionando risco inclusive para os transeuntes.

A região da Praça da Matriz foi consumida pela ilegalidade e a podridão. Prostíbulos a céu aberto e em atividade 24 horas por dia, funcionando em “conformidade” com tudo aquilo que é de ilegal. Marginais amedrontando a quem, ainda, se aventura de freqüentar aquela área. Pedintes, alcoolizados, drogados e deficientes mentais trafegando sem auxílio do governo, que deveria zelar pelo seu bem e de quem corre o risco de ser atacado por esses.

No Centro é possível praticar a paciência e o contorcionismo ao desviar de buracos, desníveis, barraquinhas e produtos expostos nas calçadas, todos, servindo como instrumentos para “desenvolver essas habilidades”, sendo que as barraquinhas, conhecidos como camelôs, são legalizadas pelo governo para tirar do pedestre a liberdade do ir e vir e para vender produtos ilegais.

Ainda analisando o Centro, tem-se o terminal de ônibus da Matriz, um monstrengo que prejudica visual e estruturalmente a região, uma ofensa a beleza arquitetônica dos prédios históricos e um complicador da trafegabilidade, gerada pela dimensão do empreendimento e pelo excesso de ônibus, fruto da falta de planejamento do poder público. Outro agravante complicador do trânsito é a falta de respeito dos motoristas e a falta de fiscalização com o intuito de inibir a desordem. São alguns dos fatores que condicionam ao caos atual que se encontra o Centro.

Existem alguns projetos e intenções para humanizar a região, dentre eles há o Camelódromo que está com sua obra paralisada devido um embargo da Justiça Federal do AM desde agosto de 2010; o novo sistema de transporte coletivo que ainda permanece no mundo das idéias e, também, enfrentando barreiras na justiça; a retomada e reforma do porto que está em discussão desde a sua privatização e outras intenções que dependem da vontade política, como a fiscalização do trânsito e a reintegração dos passeios públicos.

Espera-se que as soluções não tardem e que não sejam feitas com prazo para acabar, assim como muitas outras boas intenções que foram postas em prática temporariamente com o intuito de dirimir a pressão da população e da mídia. A nossa Manaus, o nosso povo precisa trafegar e admirar as belezas daquela região sem a preocupação de esbarrar em barreiras e ser intimidado por pessoas que se acham donas das ruas e calçadas. Está na hora de um verdadeiro choque de ordem!

2 responses to this post.

  1. Posted by hickribeiro on 19 de março de 2011 at 2:22 PM

    A situação não parece ser diferente em outras cidades do país, o que não deveria acontecer, claro! Digo isso com conhecimento de causa, uma vez que Juazeiro do Norte apresenta problemas parecidos.
    Aqui, o trânsito é um grande vilão, causando lentidão nas ruas centrais. O grande número de veículos causa um verdadeiro caos, não há vagas para estacionar. Sem falar na poluição sonora e visual nas estreitas ruas centrais.
    Contudo, há uma grande diferança. Quando se fala em Manaus, se trata de uma grande zona urbana, capital de um estado. Acredito ainda, que o crescimento desordenado de ambas cidades, durante as últimas décadas, seja o grande causador dos transtornos atuais.
    Votamos e aguardamos que os eleitos vejam o que todos veem.

    http://www.hickribeiro.wordpress.com

    Responder

  2. Quando falamos de invasões é paradoxal, pois a desorganização é fruto da crescimento desordenado, seria até justificável se não fosse algo que os governantes deveriam combater. O Centro tem praticamente a mesma idade da cidade, foi um ambiente que se desenvolveu de forma “planejada”, portanto, deveria ser referência na cidade, mas mesmo assim enfrenta esse problemas, infelizmente.
    Obrigado pelo comentário!

    Responder

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