A Educação que o Brasil Precisa Mais

Por Rafael Luiz

 

O Brasil precisa é de educação. Essa é uma frase que é dilema de muitos, mas que pode ser entendida de diversas formas se a palavra “educação” for devidamente analisada. Bandeira de Cristovam Buarque (PDT) para a ocupação da presidência do país em 2006, a educação pode ser dividida em pelo menos duas formas conforme entendimento popular do significado dessa palavra.

Primeiramente entende-se por educação todo o conhecimento científico e tecnológico que uma pessoa pode adquirir conforme ensinamentos de terceiros, com fins exclusivos de preparar o indivíduo para o mercado de trabalho. Essa educação é retratada exclusivamente em estabelecimentos de ensino públicos e privados, que agem padronizadamente conforme os princípios adotados pelo Ministério da Educação. Esse entendimento de educação ocupa praticamente todo o foco do Governo e defensores do tema, afinal, vive-se no Século XXI a Era da Informação, onde se sobressai aquele que tem mais know how .

O segundo tipo de educação não denota de fins de informações e conhecimento, mas refere-se aos padrões éticos de vivência. Nesse caso, é considerado educado aquele cidadão que zela pela cortesia, que respeita o espaço alheio e que age sempre adequadamente conforme os princípios éticos da sociedade. Esse tipo de educação pode ser oriunda nas escolas e também no convívio familiar. Infelizmente esse tipo de educação não tem quase nenhum foco por parte das autoridades governamentais e tampouco tem sido uma preocupação popular.

Mas afinal, que tipo de educação o nosso país realmente precisa mais? Se analisadas e comparadas adequadamente, constatam-se impressões horríveis sobre a educação desse país. É triste saber que os dois tipos de educação no Brasil são bastante precários.

No primeiro conceito de educação vivenciamos um ensinamento baseado com foco em estatísticas, onde no sistema público um vício impera nas escolas de ensino básico ao médio: os professores são forçados a aproveitar o mínimo do conhecimento do aluno e forçá-lo para a série subseqüente, pois agrada ao Governo ter menos custos com o aluno (aumentariam custos caso o mesmo repetisse de série), além de que os índices de aprovação fazem uma maquiagem sobre a péssima realidade. Para piorar a situação, as universidades públicas estão, generalizadamente falando, tomadas pela classe mais rica da população, onde passam nos vestibulares aqueles que fizeram cursinhos e/ou estudaram em escolas privadas, vide que as escolas publicas já têm a fama de ser piores.

No segundo entendimento de educação a situação também não é das melhores. Desperdícios com lixo, comida, água e energia elétrica mostram que o brasileiro não tem compromisso algum com o meio ambiente e com o presente e futuro de suas gerações. A falta de respeito com os pedestres nas ruas e com os outros motoristas no trânsito, o xenofobismo, o preconceito, a corrupção e maltratos a animais são evidentes no dia-a-dia do brasileiro. Os interesses individualistas são exagerados e os desrespeitos legais são abusivos, onde se esquece que o direito individual acaba quando nasce o direito de um terceiro.

 Os custos para os dois tipos de educação são bastante diferentes. Na educação de conceito de conhecimento e informação há custos onerosos, onde são empregadas tecnologias e bibliografias, enquanto na educação baseada em princípios éticos bastam recursos humanos. Do ponto de vista gerencial, percebe-se que é meramente viável para o Governo impor os educadores do conhecimento científico e tecnológico para que os mesmos se tornem educadores também dos princípios éticos. Teoricamente isso é o que sempre aconteceu nas escolas, então, parte-se do princípio que o “estudioso e inteligente” é também “ ético e respeitador”.

 Apesar de que as duas situações sobre educação não são satisfatórias, ainda assim não é difícil definir qual tipo de educação o brasileiro precisa mais. Isso acontece quando se une esses dois conceitos de educação no perfil do brasileiro e constata-se o que é ainda pior: Muitos brasileiros que possuem a educação científica e tecnológica não possuem a educação baseada em princípios éticos. Em outras palavras, aquele executivo de ensino superior que jogou um papel do seu Honda Civic e avançou o sinal vermelho não é diferente daquele analfabeto desempregado que furou a fila no terminal de ônibus e deixou uma idosa em pé enquanto sentava na cadeira exclusiva para a mesma. E infelizmente, casos comparativos como este exemplo são muito presentes no cotidiano brasileiro.

Em vista dessas premissas, quando se fala que para um país alcançar o almejado desenvolvimento, o mesmo precisa investir em educação, entende-se então que a educação não é tão simples quanto parece. Ela engloba não só o conhecimento, a informação e o domínio da ciência e tecnologia, mas integra também a cidadania, o convívio social e o caráter. E com isso o país não só se desenvolve economicamente, mas também culturalmente. E o Brasil? Tem uma longa caminhada pela frente se quiser alcançar isso.

5 responses to this post.

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  3. tenho dois irmãos Pedagogos e sei bem como eles se sentem quanto a essa questão. Parabéns, belo texto!

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  4. Posted by hickribeiro on 22 de março de 2011 at 1:55 PM

    Acompanhando o blog Panorama Amazônico, o que já é praxe para mim, deparei-me com este post.
    É sempre importante debater sobre a educação, como ela vem sendo aplicada nesse país, e sim, eu concordo com tudo. Atualmente o Estado detém-se no dever de aprovar o aluno, preocupando-se apenas com estatísticas e não com um ensino de qualidade, o qual almejamos e merecemos.
    O MEC divulgou recentemente uma medida em que os professores tem que passar os alunos até o 3º ano do fundamental. Antes dessa medida, muitos alunos chegavam a 4ª série sem saber ler, pasmem!
    Acredito que que os conceitos de educação aqui apresentados, um complementa o outro, podendo portanto os dois serem abordados dentro da sala de aula. Ensinar educação ambiental, ética, moral, se aprende com a vida porque não fomos educados para educar desta maneira.
    No quesito educação precisa caminhar muito, não buscando números, estes são consequência do que se faz dentro da sala de aula.

    http://www.hickribeiro.wordpress.com

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  5. As escolas deveriam, também, ensinar sobre política, seria bastante interessante e despertador para as consequências do desinteresse de grande maioria da população. Só escolhendo políticos comprometidos com a Educação é que iremos realmente nos desenvolver economica e socialmente.

    Obrigado pelos comentários e constantes acessos, Hick!

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