Tão jovens, tão bonitos…tão…vazios

Blog da autora: http://www.alinepostigo.blogspot.com

Extraído de: http://blogs.d24am.com/alinepostigo/2010/08/11/tao-jovens-tao-bonitos-tao-vazios/

@alinepostigohttp://twitter.com/alinepostigo

Fútil todo mundo é um pouco, mas talvez a juventude de hoje esteja passando um pouco da conta…

É impressão minha ou a maioria dos adolescentes de hoje não estão mais conseguindo reunir o tico e teco para trabalharem em prol de uma causa menos fútil?

Em uma conversa recente com uma jovem de 16 anos, linda por sinal, tive a ligeira impressão que a maioria dos colegas que ela convive estão no mesmo nível de conteúdo que ela está, ou seja, nível nenhum.

Sim, fútil todo mundo é um pouco. Eu sou, você é e que chato se todo mundo ficasse só comentando sobre política e os livros da Clarice Lispector por aí. Mas existe um nível de futilidade a ser praticado, principalmente para mulheres bonitas, que já são discriminadas logo de cara. Aliás, mulher bonita tem sempre que provar que é inteligente… claro, se ela for mesmo.

E aí eles sabem com detalhes o último clip da lady Gaga e a nova boate. Mas dificilmente sabem, nem por alto, sobre as notícias em evidência. As meninas se preocupam com quão liso estão seus cabelos  e em que nível de anorexia estão nesta semana, os meninos com os aros dos carros e os centímetros do braço e as garrafas de “Red”.

São estes mesmos jovens de 16 anos que já possuem a responsabilidade de escolher alguém para votar. E tudo bem se eles fizerem péssimas escolhas, porque tem muito adulto fazendo também. Mas fica extremamente complicado exercer esse direito de cidadão (até o de escolher mal)  se eles não têm a mínima noção de quais candidatos concorrem à Presidência. Por favor, ao menos pra Presidência, já que é número menor de candidatos que o de Deputados.

Isso é tão triste. Eles são tão jovens, tão bonitos… tão… vazios. E não que eu fosse a grande menina madura aos 16 anos, mas me recuso a acreditar que eu era assim. Não, nem eu, nem os meus. Nós, ao menos, assistíamos a algum jornal da TV, nem que fosse ao que antecedia à novela. Nosso nível de alienação nunca foi tão grande quanto aos que vejo pelos lugares que frequento.

É realmente lamentável. A alienação é uma grande prisão. É um analfabetismo mental.  Você não consegue perceber, nem interpretar a realidade a sua volta, assim como um analfabeto não consegue entender as letras.

E assim como é um preconceito considerar que as mulheres bonitas são burras, também seria injusto dizer que só os jovens com situação monetária acima da média são alienados.  A alienação não tem nada a ver com classe social,   ela não é privilégio dos que tem mais dinheiro.

Também não é desculpa não conseguir entender determinada realidade só porque você não a viveu, se fosse por isso teríamos todos que passar fome para conseguir perceber a miséria que existe no mundo.

E não é culpa do capitalismo, do culto à beleza, da moda, do consumismo, da internet, dos professores, da internet, das propagandas, não, não é culpa de nada disso. A informação está aí, muito mais acessível que antes, escolher dar uma olhada no que acontece fora do nosso orkut é só uma questão de escolha.

O que me preocupa mesmo é que com um ano a mais, em média 17 anos, esses mesmos jovens vazios estarão assinalando em formulários de vestibulares o que terão que fazer pelo resto de suas vidas. E 1 ano é muito pouco para esse avanço de maturidade. Só tenho medo pelo choque que terão ao descobrir que nas opções de graduação não há nenhuma caixinha de seleção para marcar Big Brother Brasil.

One response to this post.

  1. Posted by hickribeiro on 25 de março de 2011 at 12:51 PM

    Excelente post. Os jovens são alienados pela crescente ideia de vulgarização que a mídia traz. O importante não é a instabilidade política na Líbia, o desastre nuclear no Japão, o alerta de Tsunami no pacífico, não é o Down Jones tampouco a BM&F Bovespa.
    Até sabem de algumas manchetes policiais pela boca de outros jovens, e formam suas opiniões, baseadas no que ouviu. Quando assite o jornal, tem orgulho em recitar as frases e opiniões de William Bonner e Fátima Bernardes.
    Política? “são todos iguais”. Economia? O importante é ter dinheiro pra ir à festas e beber ‘amarelim’.
    Totalmente sem um norte, sem senso crítico. E o futuro, não é consequência do presente? Pois estes mesmos jovens que dão IBOPE ao BBB, são os que posteriormente nos representarão no Congresso, serão nossos médicos, advogados e professores.
    Eu só tenho uma coisa a dizer, lastimo!

    http://www.hickribeiro.wordpress.com

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