O exemplo do Japão

Por Valmir Lima

 Na semana passada, uma fotomontagem com imagens do Japão na internet virou sensação no Brasil e serviu de pauta para os telejornais nacionais. Eram duas imagens de uma autoestrada, a primeira com os estragos causados pelo terromoto e a segunda, a mesma estrada recuperada.

As imagens, em si, nada diziam, mas o texto com a informação de que o serviço de recuperação fora feito em apenas seis dias, causava, no mínimo, surpresa. Talvez em outros países, como nossa vizinha Colômbia (para não ir longe) tais imagens não tivessem tamanho impacto como no Brasil. Por que será?

Não é, como sugeriu o ‘Jornal Nacional’, porque os japoneses têm uma “capacidade de superação” acima da média mundial que o fato deveria interessar ao Brasil, mas pela oportunidade de comparar a competência e seriedade dos japoneses com a incompetência e irresponsabilidade dos nossos homens públicos e privados (é, privados, sim, porque a autoestrada foi reconstruída pela empresa concessionária) brasileiros.

 “Então pronto, tá explicado”, diriam nossas autoridades. O problema brasileiro estaria na estatização das estradas, certo? Errado. E o caso da concessão dos serviços de água e esgoto de Manaus está aí para comprovar. Os serviços de internet, privados até os dentes, também servem de parâmetro, se quisermos comparar o público e o privado.

O problema não está na privatização ou estatização dos serviços, mas na falta de seriedade. Falta cidadania aos brasileiros. É a cidadania japonesa que está acima da nossa. Lá, os acionistas da empresa têm consciência de que eles também precisam da estrada (no Brasil, os grandes empresários usam helicópteros para fugir das ruas esburacadas e congestionadas). E se a empresa japonesa falhar na prestação dos serviços, certamente receberá punição severa.

Aqui, os governos contratam empresas privadas para fazer os serviços de recuperação de estradas e ruas e a qualidade dos serviços é bem conhecida. O asfalto é descartável. Os fornecedores estabelecem uma vida útil curtíssima para o material para que não lhes faltem clientes. Nada no Brasil é feito para durar, mas tudo é pago com valores bem acima dos praticados nos países desenvolvidos.

Citei a Colômbia, acima, para que ninguém levante a velha e conhecida ‘lenga lenga’ de que não se pode comparar país de ‘primeiro mundo’ com de ‘terceiro mundo’. Sugiro que nossas autoridades visitem as ruas de Bogotá. Lá, um cidadão que anda de carro não tem a sensação de que está andando a cavalo, como ocorre em Manaus.

Obs: Esse e outros textos podem ser visualizados n Blog do autorhttp://blogs.d24am.com/valmirlima

One response to this post.

  1. Verdade absoluta! Aqui agente aceita tudo e não temos honra por parte da maioria dos políticos; nem coragem, por parte da população, que só sabe reclamar pro colega do lado ou na mesa do bar depois de umas; mas não tem coragem de cobrar, exigir e fazer valer as leis e códigos que temos ao milhares. Quando vemos alguma classe social, ex.: estudantes, mototaxistas, etc, reclamando de algo, a maioria de nós ainda os chama de baderneiros. No entanto baderna maior é feita com o dinheiro público nas câmaras, assembleias, prefeituras, governos, repartições públicas, contratos fraudulentos, licitações pré-combinadas, etc. e agente assiste passivamente a tudo isso. Precisamos de um pouco de Japão na cara mesmo, porque vergonha não dar mais jeito!

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