Fica bem ali!

Por Tiago Gabriel

Que Manaus é carente de alternativas para locomoção de pessoas e transporte de produtos oriundos do Pólo Industrial de Manaus (PIM) ao restante do país, isso não é novidade pra ninguém. Dos modais de transporte, o ferroviário é o único que não nos deixa a desejar, pois esse não existe por essas bandas baré. O aeroviário, terrestre e hidroviário funcionam, mas de forma precária.

 Nossa quase que única opção, o aeroporto Eduardo Gomes passa por um período difícil, visto que sua capacidade é inferior a atual demanda de passageiros e produtos, isso já foi pior, mas continua defasado. No ano passado, nosso aeroporto deixou produtos expostos no sol e chuva devido a incapacidade operacional de estocar e liberar produtos de forma eficiente e eficaz.

No que tange ao transporte terrestre, o debate sobre a viabilidade de algum empreendimento que ligue o estado com o restante do país já consumiu intensos debates que persistem até hoje. A obra de reconstrução da BR 319, nossa única via de ligação com os grandes centros do país, mesmo faltando em torno de 400 km’s para sua finalização, ainda está dependente de licença ambiental o que nos leva a crer que o fim do nosso isolamento logístico ainda há de tardar.

No transporte hidroviário, além de um fator complicador e natural, a vazante dos rios que acontece todos os anos, portanto previsível, ou seja, daria para seu impacto ser minimizado, alguns incidentes acometidos no único porto existente na cidade prejudicaram o transporte de produtos, o que causou altos prejuízos para as empresas do PIM. Além do transporte de passageiros que apesar da imensidão dos rios do estado, não possui um porto decente que atenda as necessidades de transporte dos passageiros.

No ano passado passamos por uma das nossas piores crises no que se refere ao transporte de produtos. Nossas duas alternativas que funcionam de forma precária, citadas acima, entraram na “sala de emergência”, o que não permitiu que o faturamento de 35 bilhões de dólares do PIM fosse ainda maior.

Nossos rios, devido suas dimensões e apelo ecológico, por ser menos poluente, seriam as melhores alternativas de transporte, se não fossem os gargalos supracitados. Existe o projeto de construção de dois novos portos na cidade, um na Manaus Moderna, para o transporte de passageiros e descarga de pequenos produtos do interior, mas que ainda é só projeto, e outro nas proximidades do Encontro das Águas e que enfrenta o rigor ambiental da população e dos órgãos fiscalizadores, por se tratar de uma área tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Que o poder público tenha a mesma capacidade de articulação que teve para criar seus projetos, com o intuito de conquistar a vaga de sub sede da Copa, também, para executar as mesmas, afim de que sejam solucionados ou minimizados esses gargalos, deixando como herança para a sociedade. Enquanto isso vamos pagando caro para viajar até pra Parintins, que “fica bem ali” (Expressão amazonense utilizada para informar a distância de algo).

One response to this post.

  1. Posted by Rafael Luiz on 8 de abril de 2011 at 1:41 PM

    Se não conseguimos nem atravessar o rio dignamente de um lado para o outro (cadê a ponte Manaus-Careiro?), o que dirá chegar ao resto do país? Infelizmente o problema logístico de Manaus se dá à falta de vontade política na nossa região. Se de fato existem projetos de ampliação é porque existe a mera necessidade de crescimento e não porque simplesmente houve a ideia de empreendimento e visão econômica de expansão antes da necessidade. No Brasil é assim.

    Responder

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