A primeira lembrança que tenho em minha vida é do dia em que minha irmão nasceu, 15 de setembro de 1972, tinha quase 3 anos. Lembro que estava deitado em uma rede que estava atada debaixo da escada do sobrado em que morávamos. Lembro que perguntava para as pessoas se a cegonha já tinha trazido minha irmãzinha e lembro que meu irmão estava deitado em outra rede perto da minha e ficava brincando sem se preocupar muito com aquilo. Lembro que minha mãe estava no quarto e que algumas vizinhas e a parteira estavam lá com ela, esperando a cegonha chegar pela janela; era o que me diziam. Lembro que as pessoas passavam com toalhas e com bacias com água da cozinha para o quarto e eu ficava tentando entender pra que eram. Lembro que não havia outras crianças na casa nesse dia. Lembro que de tanto esperar fui vencido pelo sono e adormeci. Lembro que pela manhã acordei e minha maninha já estava num berço com um mosqueteiro cor rosa protegendo-a das carapanãs. Ela era bem branquinha e loira, muito bonita. Lembro que fiquei na janela tentando entender como a cegonha não bateu num cajueiro muito grande que tinha no quintal e que tampava toda a passagem para a janela. Lembro que esse cajus eram enormes e nunca mais eu vi cajus como aqueles; a não ser num pé que depois meu pai plantaria em nossa nova casa. Lembro que do nascimento de minha irmã é isso que me recordo. Lembro que o sobrado que agente morava era lindo, ficava no morro do sapo, na estrada que chamavam de rodagem, mas que depois descobri que o nome é Avenida Magalhães Barata. Lembro que a escada de acesso para a parte de cima era muito bonita e que depois esta escada foi levada e posta em nossa nova casa, foi a única parte que ficou inteira quando meu pai desmontou nosso sobrado. Lembro que a casa era coberta com cavacos de madeira. Era uma casa somente cm um grande quarto, uma sala, cozinha e uma pequena varanda na frente. Lembro que a parte de cima era somente um quarto e havia a parte do forro da varanda, onde agente costumava se esconder se equilibrando sobre os caibros. Lembro que ela era branca nas laterias e na frente as ripas eram azuis. Lembro que entre uma tábua e outra havia ripas para tampar as frestas. Lembro que havia uma porta frontal e uma porta lateral. Lembro que na varanda haviam cadeiras de vime e uma pequena mesa, onde mamãe colocava toalhas de seus bordados e um vaso de porcelana com flores colhidas do jardim que havia na frente da casa. Lembro que o jardim era bem cuidado e haviam muitas plantas que não lembro o nome. Lembro que debaixo de uma dessas plantas, que formava uma espécie de cobertura, algumas pessoas diziam que ali havia aparecido uma mulher vestida de branco e que muitos diziam ser Nossa Senhora. Lembro que haviam flores brancas, vermelhas, amarelas; e me lembro de muitos mais..
Obs: Este texto faz parte do imaginário das memórias do autor do post.

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