Archive for the ‘Brasil’ Category

O exemplo do Japão

Por Valmir Lima

 Na semana passada, uma fotomontagem com imagens do Japão na internet virou sensação no Brasil e serviu de pauta para os telejornais nacionais. Eram duas imagens de uma autoestrada, a primeira com os estragos causados pelo terromoto e a segunda, a mesma estrada recuperada.

As imagens, em si, nada diziam, mas o texto com a informação de que o serviço de recuperação fora feito em apenas seis dias, causava, no mínimo, surpresa. Talvez em outros países, como nossa vizinha Colômbia (para não ir longe) tais imagens não tivessem tamanho impacto como no Brasil. Por que será?

Não é, como sugeriu o ‘Jornal Nacional’, porque os japoneses têm uma “capacidade de superação” acima da média mundial que o fato deveria interessar ao Brasil, mas pela oportunidade de comparar a competência e seriedade dos japoneses com a incompetência e irresponsabilidade dos nossos homens públicos e privados (é, privados, sim, porque a autoestrada foi reconstruída pela empresa concessionária) brasileiros.

 “Então pronto, tá explicado”, diriam nossas autoridades. O problema brasileiro estaria na estatização das estradas, certo? Errado. E o caso da concessão dos serviços de água e esgoto de Manaus está aí para comprovar. Os serviços de internet, privados até os dentes, também servem de parâmetro, se quisermos comparar o público e o privado.

O problema não está na privatização ou estatização dos serviços, mas na falta de seriedade. Falta cidadania aos brasileiros. É a cidadania japonesa que está acima da nossa. Lá, os acionistas da empresa têm consciência de que eles também precisam da estrada (no Brasil, os grandes empresários usam helicópteros para fugir das ruas esburacadas e congestionadas). E se a empresa japonesa falhar na prestação dos serviços, certamente receberá punição severa.

Aqui, os governos contratam empresas privadas para fazer os serviços de recuperação de estradas e ruas e a qualidade dos serviços é bem conhecida. O asfalto é descartável. Os fornecedores estabelecem uma vida útil curtíssima para o material para que não lhes faltem clientes. Nada no Brasil é feito para durar, mas tudo é pago com valores bem acima dos praticados nos países desenvolvidos.

Citei a Colômbia, acima, para que ninguém levante a velha e conhecida ‘lenga lenga’ de que não se pode comparar país de ‘primeiro mundo’ com de ‘terceiro mundo’. Sugiro que nossas autoridades visitem as ruas de Bogotá. Lá, um cidadão que anda de carro não tem a sensação de que está andando a cavalo, como ocorre em Manaus.

Obs: Esse e outros textos podem ser visualizados n Blog do autorhttp://blogs.d24am.com/valmirlima

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A Educação que o Brasil Precisa Mais

Por Rafael Luiz

 

O Brasil precisa é de educação. Essa é uma frase que é dilema de muitos, mas que pode ser entendida de diversas formas se a palavra “educação” for devidamente analisada. Bandeira de Cristovam Buarque (PDT) para a ocupação da presidência do país em 2006, a educação pode ser dividida em pelo menos duas formas conforme entendimento popular do significado dessa palavra.

Primeiramente entende-se por educação todo o conhecimento científico e tecnológico que uma pessoa pode adquirir conforme ensinamentos de terceiros, com fins exclusivos de preparar o indivíduo para o mercado de trabalho. Essa educação é retratada exclusivamente em estabelecimentos de ensino públicos e privados, que agem padronizadamente conforme os princípios adotados pelo Ministério da Educação. Esse entendimento de educação ocupa praticamente todo o foco do Governo e defensores do tema, afinal, vive-se no Século XXI a Era da Informação, onde se sobressai aquele que tem mais know how .

O segundo tipo de educação não denota de fins de informações e conhecimento, mas refere-se aos padrões éticos de vivência. Nesse caso, é considerado educado aquele cidadão que zela pela cortesia, que respeita o espaço alheio e que age sempre adequadamente conforme os princípios éticos da sociedade. Esse tipo de educação pode ser oriunda nas escolas e também no convívio familiar. Infelizmente esse tipo de educação não tem quase nenhum foco por parte das autoridades governamentais e tampouco tem sido uma preocupação popular.

Mas afinal, que tipo de educação o nosso país realmente precisa mais? Se analisadas e comparadas adequadamente, constatam-se impressões horríveis sobre a educação desse país. É triste saber que os dois tipos de educação no Brasil são bastante precários.

No primeiro conceito de educação vivenciamos um ensinamento baseado com foco em estatísticas, onde no sistema público um vício impera nas escolas de ensino básico ao médio: os professores são forçados a aproveitar o mínimo do conhecimento do aluno e forçá-lo para a série subseqüente, pois agrada ao Governo ter menos custos com o aluno (aumentariam custos caso o mesmo repetisse de série), além de que os índices de aprovação fazem uma maquiagem sobre a péssima realidade. Para piorar a situação, as universidades públicas estão, generalizadamente falando, tomadas pela classe mais rica da população, onde passam nos vestibulares aqueles que fizeram cursinhos e/ou estudaram em escolas privadas, vide que as escolas publicas já têm a fama de ser piores.

No segundo entendimento de educação a situação também não é das melhores. Desperdícios com lixo, comida, água e energia elétrica mostram que o brasileiro não tem compromisso algum com o meio ambiente e com o presente e futuro de suas gerações. A falta de respeito com os pedestres nas ruas e com os outros motoristas no trânsito, o xenofobismo, o preconceito, a corrupção e maltratos a animais são evidentes no dia-a-dia do brasileiro. Os interesses individualistas são exagerados e os desrespeitos legais são abusivos, onde se esquece que o direito individual acaba quando nasce o direito de um terceiro.

 Os custos para os dois tipos de educação são bastante diferentes. Na educação de conceito de conhecimento e informação há custos onerosos, onde são empregadas tecnologias e bibliografias, enquanto na educação baseada em princípios éticos bastam recursos humanos. Do ponto de vista gerencial, percebe-se que é meramente viável para o Governo impor os educadores do conhecimento científico e tecnológico para que os mesmos se tornem educadores também dos princípios éticos. Teoricamente isso é o que sempre aconteceu nas escolas, então, parte-se do princípio que o “estudioso e inteligente” é também “ ético e respeitador”.

 Apesar de que as duas situações sobre educação não são satisfatórias, ainda assim não é difícil definir qual tipo de educação o brasileiro precisa mais. Isso acontece quando se une esses dois conceitos de educação no perfil do brasileiro e constata-se o que é ainda pior: Muitos brasileiros que possuem a educação científica e tecnológica não possuem a educação baseada em princípios éticos. Em outras palavras, aquele executivo de ensino superior que jogou um papel do seu Honda Civic e avançou o sinal vermelho não é diferente daquele analfabeto desempregado que furou a fila no terminal de ônibus e deixou uma idosa em pé enquanto sentava na cadeira exclusiva para a mesma. E infelizmente, casos comparativos como este exemplo são muito presentes no cotidiano brasileiro.

Em vista dessas premissas, quando se fala que para um país alcançar o almejado desenvolvimento, o mesmo precisa investir em educação, entende-se então que a educação não é tão simples quanto parece. Ela engloba não só o conhecimento, a informação e o domínio da ciência e tecnologia, mas integra também a cidadania, o convívio social e o caráter. E com isso o país não só se desenvolve economicamente, mas também culturalmente. E o Brasil? Tem uma longa caminhada pela frente se quiser alcançar isso.

Tá reclamando de que?

Por Tiago Gabriel

Mandaram essa mensagem por e-mail e achei brilhante pela semelhança que noto na idiossincrasia do brasileiro.
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Autor Anônimo

Tá  Reclamando do Lula? do Serra? da Dilma? do Arrruda? do Sarney? do Collor? do Renan? do Palocci?  do Delubio? Da Roseanne Sarney? Dos políticos distritais de Brasília? do Jucá? do Kassab? do Omar, do Eduardo Braga, do Amazonino e dos mais de 500 picaretas do Congresso?
Brasileiro reclama de quê?
O Brasileiro é assim:
1. – Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas.
2. – Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas.
3. – Suborna ou tenta subornar quando é pego cometendo infração.
4. – Troca voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, e até dentadura.
5. – Fala no celular enquanto dirige.
6. -Trafega pela direita nos acostamentos num congestionamento.
7. – Pára em filas duplas, triplas em frente às escolas.
8. – Viola a lei do silêncio.
9. – Dirige após consumir bebida alcoólica.
10. – Fura filas  nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas
desculpas.
11. – Espalha mesas, churrasqueira nas calçadas.
12. – Pega atestados médicos    sem estar doente, só para faltar ao
trabalho.
13. – “Faz  “ gato “  de luz, de água e de TV a cabo.
14. – Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado,muitas vezes irrisórios, só para pagar menos imposto.
15. – Compra recibo para abater na declaração do imposto de
renda para pagar menos imposto.
16. – Muda a cor da pele para ingressar na universidade através
do sistema de cotas.
17. – Quando viaja a serviço   pela empresa, se o almoço custou 10
pede nota fiscal de 20.
18. – Comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes.
19. – Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.
20. – Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se
fosse pouco rodado.
21. – Compra produtos pirata com a plena consciência de que são
pirata.

22. – Substitui o catalisador do carro por um que só tem a casca.
23. – Diminui a idade do filho para que este passe por baixo da
roleta do ônibus, sem pagar passagem.
24. – Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA.
25. – Freqüenta os caça-níqueis e faz uma fezinha no jogo de bicho.
26. – Leva das empresas onde trabalha, pequenos objetos como
clipes, envelopes, canetas, lápis… como se isso não fosse roubo.
27. – Comercializa os vales-transporte e vales-refeição que
recebe das empresas onde trabalha.
28. – Falsifica tudo, tudo mesmo… só não falsifica aquilo que ainda não existe.

29. – Quando volta do exterior, nunca diz a verdade quando o fiscal aduaneiro pergunta o que traz na bagagem.
30. – Menti para familiares, marido, esposa, namorado (a), amigos para conseguir alguma coisa ou se beneficiar de alguma situação.
31. – Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes
não devolve.
E quer que os políticos sejam honestos…
Escandaliza-se com a farra das passagens aéreas…
Esses políticos que aí estão saíram do meio desse mesmo povo ou não?
Fala-se tanto da necessidade deixar um planeta melhor para os
nossos filhos e esquece-se da urgência de deixarmos filhos melhores
(educados, honestos, dignos, éticos, responsáveis) para o nosso
planeta, através dos nossos exemplos…”
Brasileiro reclama de quê, afinal?
E é a mais pura verdade, isso que é o pior! Então sugiro adotarmos uma mudança de comportamento, começando por nós mesmos, onde for necessário!
Vamos dar o bom exemplo!
Espalhe essa idéia!

A um salto do desenvolvimento?

Por Leonardo Costa

Publicado Segunda-feira, 27 Dezembro, 2010 . 23:23

Esse texto estava no meu antigo blog e, em tempos em que se falou tanto na pujança da classe C, graças ao governo Lula, creio que vale a pena ler novamente esse texto.

A revista veja traz em sua edição nº 2054 uma reportagem sobre o aumento substancial da classe C, que nos últimos dois anos recebeu 20 milhões de pessoas e passou a representar 46% da população.

Este é um dado bastante animador, haja visto que em todas as nações desenvolvidas do mundo a classe média (C e B) são a parcela dominante da população. Entretanto, há que se analisar a conclusão da revista de que o Brasil está a apenas um “salto de distância”. Vou ser claro na minha tese: O Brasil nunca será um país desenvolvido. Por quê? Perguntará o patriótico leitor. Respondo: porque nossa população jamais fará jus ao desenvolvimento. Mas o que quer dizer esta afirmação? Quer dizer que nosso povo emperra o desenvolvimento através do firme arraigamento a toda sorte de fator cultural terceiro-mundista.

Primeiro, nos países desenvolvidos a maioria da população utiliza, no dia a dia, a educação que recebeu em casa e na escola. Coisas simples como não jogar lixo no chão ou não destruir o patrimônio público parecem nunca “entrar” na cabeça do nosso povo. Se não desperdiçássemos tanto reparando o estrago feito pelos próprios beneficiários, teríamos mais verbas para melhorar os serviços públicos prestados. Outro fator diferenciador é a forma como o setor público é encarado. No Brasil, serviço público é sinônimo de mordomia e salário alto sem precisar trabalhar. Além disto, os cargos públicos são loteados ao sabor dos interesses “do povo”. Mas do povo da casa do povo do Ministro, do secretário (estadual ou municipal), do desembargador etc. Ninguém pensa em colocar nestes cargos as pessoas mais capacitadas e talentosas. Desta maneira nunca teremos serviços públicos de qualidade capazes de atender às necessidades do contribuinte.

Não podemos deixar de comentar também sobre a participação política do povo brasileiro. Uma participação nula e, na maioria das vezes prejudicial ao Brasil. Quando o povo vai às urnas, vai para eleger políticos demagógicos que se aproveitam da desgraça, boa-fé e ingenuidade das pessoas para manipulá-las e obter poder e todos os acessórios que o poder permite. Estou falando, claro, dos irmãos metralha, do bandido casinha branca – que está tentando emplacar o filho – e congêneres. Eleger estes indivíduos oportunistas é prestar um desserviço tão grande ao Brasil que melhor seria dissolver o parlamento. A passividade do povo diante do inaceitável é outro fator determinante do subdesenvolvimento crônico da pátria mãe. Todas as vezes que os corruptos escapam da lei simplesmente nos resignamos e concordamos que “é assim mesmo”. Isto garante à futura geração de corruptos que a vasta saia da mãe impunidade continuará a ser abrigo seguro na crise. A inexistência de justiça também ajuda a manter o país chafurdando na lama subdesenvolvimentista.

São inúmeros os fatores que poderia descrever para demonstrar a dimensão da impossibilidade de alcançarmos o desenvolvimento. Mas vou resumir da seguinte forma: o povo brasileiro não deseja efetivamente o progresso, pois isso demandaria esforço, deseja sim ser “ajudado” com rancho, casa, novela, Boi Manaus e qualquer forma de ganhar sem esforço. Deste modo, jamais chegaremos a colher os frutos do progresso humano, pois parece que estaremos sempre esperando pela ação reparadora e paternalista do estado. Mesmo que 100% dos brasileiros alcancem as classes C e B não seremos desenvolvidos, seremos apenas menos pobres com alguns cobres a mais no bolso.

http://blogs.d24am.com/terrasemlei/2010/12/27/a-um-salto-do-desenvolvimento/

O Dengoso

Por Xico Branco

Naquele domingo O Zé num tava legal. Logo cedo num comparecera a pelada matinal da turma no campo de futebol do bairro. E olha que era do lado de sua casa. Mais tarde um pouco, recusou o convite da já corriqueira cervejada dominical no Bar Mesa 14. A Turma tava sem entender direito, logo o Zé que num faltava nunca. Era ali no bar que toda a turma de imigrantes de vários estados brasileiros se reunia pra jogar conversa fora e zoar um do outro. Tinha gente do Pará, Maranhão, Piauí, Ceará e Pernambuco. “Manaus é uma cidade que acolhe gente de todo canto e dar oportunidades a todos’. E ali no Riacho Doce num era diferente. Gente e mais gente de todos os cantos do país.

Mas voltando ao assunto, o Zé faltar na pelada tudo bem. Mas na cervejada num dava pra entender. Era ele que fazia o fogo da churrasqueira; que temperava a costela do boi e a picanha. Que contava as piadas de paraense. Todos sabiam que ele era natural do Pará, mas levava as piadas que os amazonenses inventavam de paraenses na esportiva. Ele dizia que por semana recebia via e-mail, mais de uma dezena de piadas dos colegas das fábricas do distrito industrial. Escolhia ali as mais originais e trazia pra contar pra turma que ria muito com as brincadeiras. Mas sempre contava uma de amazonense pra num deixar barato. Era um mestre do sorriso, diziam.

A turma sabia que aquela ausência não era bom sinal. Ou o Zé tava com um problema sério ou com raiva de alguém. Era ele também que fazia às vezes de defensor do bairro junto aos representantes da comunidade e as autoridades. Ele ligava pra rádios, jornais, prefeitura e tantas outras secretarias. Sempre que algo num ia bem no bairro, lá estava o Zé ligando e pedindo ajuda pra consertar ruas esburacadas, pra retirar invasores da área verde do bairro, pra recolher lixo, limpar a área do campo de futebol e tantas outras coisas. Assim, aquela ausência do Zé podia representar algo muito sério. Ultimamente o bairro tava abandonado e embora o Zé ligasse pra um monte de gente, as coisas num estavam se resolvendo. Na rua de sua casa tinha um buraco que ele dizia que tava igual uma crônica do Stanislaw Ponte Preta, que versava sobre um buraco que tinha em uma rua e que os moradores já não sabiam se era o buraco que era na rua ou a rua que era no buraco. A rua dele tava nesse paradoxo. O buraco já ia até comemorar aniversário de um ano, prometiam até fazer festa e convidar o secretário de obras da cidade.

A outra coisa que incomodava o Zé era o lixo no bairro. O pessoal não tava muito ai pra isso, mas ele era inimigo de quem jogava lixo na área verde e nas esquinas. Num demorava meia hora depois que a prefeitura retirava casambadas de lixo e lá vinham alguns moradores com seus carrinhos de mão cheios de entulhos de toda espécie e jogavam nas esquinas. Parecia até de propósito pro bairro permanecer sempre cheio de lixo e imundices. Ele já fizera campanhas na comunidade pra reverter isso. Já colocara placas. Já tinha feito até cerca de arame farpado numa parte da área verde e de nada adiantou, passado um tempo os próprios moradores já se encarregavam de voltar a sujar tudo de novo e destruir a placas e a cerca. Seria esse o motivo do Zé ta pra baixo naquele domingo? Era o que a turma se perguntava.

Lá no Bar Mesa 14 todos já estavam reunidos e entre uma cerveja e outra alguém lembrava do Zé e opinava sobre sua repentina ausência.

O Carlos Barriga dizia que o Zé tava com uma baita caganeira e que tava indo no banheiro de meia em meia hora e usando lencinho de neném pra fazer sua higiene pessoal, de tão ardido que o negócio tava.

O Juca do Churrasco achava que era porque ele tava com uns problemas pessoais com a comadre dele, que o tinha pego no celular conversando com uma amiga e havia quebrado o pau. – A coisa foi feia! – Dizia ele.

O Chico Pedreiro emendava dizendo que era porque ele queria construir uma piscina em casa e tava economizando até o do carvão pra poder dar fim ao seu sonho. – Ele já me pediu até orçamento da obra. Vai fazer em outubro! – Dizia ele com aquele ar de engenheiro de buteco.

O Negão, com um copo numa mão e um abanandor na outra, e que até então estava quieto só ouvindo as fofocas sobre o coitado do Zé, não aguentou e de supetão disse:

– Pessoal! Vamos tirar esse negócio a limpo. Um de nós vai lá com desculpa de emprestar aquele conjunto de facas de churrasqueiro que ele tem e no meio da conversa pergunta o que ta pegando, assim agente para de falar e vai ter certeza do que ta acontecendo com nosso amigo. Que você acham?

– Tai, achei legal. – Disse o João.

– Poxa Negão! Tu pensa né caboco! – Retrucou o Cosme. – E quem vai ser o escolhido? – Continuou ele.

– Ah! Pode ser o Barriga. Ele tem mais intimidade ou o Chico Pedreiro que sempre trabalha por lá. – Disse Negão.

– Pode deixar comigo eu vou lá agora mesmo. – Disse o Chico Pedreiro já de pé.

Enquanto o Chico se dirigia rumo a casa do Zé, que ficava numa esquina próxima. O pessoal ficava ali discutindo quem teria razão sobre o motivo da indisposição do ausente. Lógico que a confusão e a curiosidade tava tomando conta de todos. Demorou um tempo e lá vinha o Chico sorrindo. Quando ele chegou a turma o rodeou e foram logo querendo saber.

– Fala Chico. O que o homem tem? – Perguntou o Negão.

– E ai Chico é dor de barriga né? – Questionou Carlos quase que ao mesmo tempo.

– Que nada é a mulher que num o deixou vir por causa do telefonema que eu falei. Né Chico?

– Pô deixa o cara falar meu! – Gritou o Cosme. Diz ai Chico, o que ele tem?

E sorrindo o Chico falou:

– É Dengue!

Esta crônica faz parte do livro “Achados de Meu Quintal” , de Francisco Teixeira Xico Branco, disponível no site da AG Books e Clube de Autores.

Xico Branco é especialista em SMT, poeta e escritor.

Resposta à revista Veja

Por Tiago Gabriel

Esse texto foi enviado para o meu email sem a identificação do autor e a edição na qual foi publicada na revista Veja, mas retrata a realidade incontestável da educação no Brasil e de uma classe que precisa, muitas vezes, assumir as responsabilidades jogadas pela sociedade em seus braços. Boa leitura!

Autor Anônimo

Resposta à revista Veja

 Sou professora do Estado do Paraná e fiquei indignada com a reportagem da jornalista Roberta de Abreu Lima “Aula Cronometrada”. É com grande pesar que vejo quão distante estão seus argumentos sobre as causas do mau desempenho escolar com as VERDADEIRAS  razões que  geram este panorama desalentador.
Não há necessidade de cronômetros, nem de especialistas  para diagnosticar as falhas da educação. Há necessidade de todos os que pensam que: “os professores é que são incapazes de atrair a atenção de alunos repletos de estímulos e inseridos na era digital” entrem numa sala de aula e observem a realidade brasileira. Que alunos são esses “repletos de estímulos” que muitas vezes não têm o que comer em suas casas quanto mais inseridos na era digital? Em que  pais de famílias oriundas da pobreza  trabalham tanto que não têm como acompanhar os filhos  em suas atividades escolares, e pior em orientá-los para a vida? Isso sem falar nas famílias impregnadas pelas drogas e destruídas pela ignorância e violência, causas essas que infelizmente são trazidas para dentro da maioria das escolas brasileiras. Está na hora dos professores se rebelarem contra as acusações que lhes são impostas. Problemas da sociedade deverão ser resolvidos pela sociedade e não somente pela escola.
Não gosto de comparar épocas, mas quando penso na minha infância, onde pai e mãe, tios e avós estavam presentes e onde era inadmissível faltar com o respeito aos mais velhos, quanto mais aos professores e não cumprir as obrigações fossem escolares ou simplesmente caseiras, faço comparações com os alunos de hoje “repletos de estímulos”. Estímulos de quê?  De passar o dia na rua, não fazer as tarefas, ficar em frente ao computador, alguns até altas horas da noite, (quando o têm), brincando no Orkut, ou o que é ainda pior envolvidos nas drogas. Sem disciplina seguem perdidos na vida. Realmente, nada está bom. Porque o que essas crianças e jovens procuram é amor, atenção, orientação e disciplina.
Rememorando, o que tínhamos nós, os mais velhos,  há uns anos atrás de estímulos? Simplesmente: responsabilidade, esperança, alegria. Esperança que se estudássemos teríamos uma profissão, seríamos realizados na vida. Hoje os jovens constatam que se venderem drogas vão ganhar mais. Para quê o estudo? Por que numa época com tantos estímulos não vemos olhos brilhantes nos jovens? Quem, dos mais velhos, não lembra a emoção de somente brincar com os amigos,  de ir aos piqueniques, subir em árvores? E, nas aulas, havia respeito, amor pela pátria.. Cantávamos o hino nacional diariamente, tínhamos aulas “chatas” só na lousa e sabíamos ler, escrever e fazer contas com fluência. Se não soubéssemos não iríamos para a 5ª. Série. Precisávamos passar pelo terrível, mas eficiente, exame de admissão. E tínhamos motivação para isso.
Hoje, professores “incapazes” dão aulas na lousa, levam filmes, trabalham com tecnologia, trazem livros de literatura juvenil para leitura em sala-de-aula (o que às vezes resulta em uma revolução),  levam alunos à biblioteca e a outros locais educativos (benza, Deus, só os mais corajosos!) e, algumas escolas públicas onde a renda dos pais comporta, até a passeios interessantes, planejados minuciosamente, como ir ao Beto Carrero. E, mesmo, assim, a indisciplina está presente, nada está bom. Além disso, esses mesmos professores “incapazes”,  elaboram atividades escolares como provas, planejamentos, correções nos fins-de-semana, tudo sem remuneração.
Todos os profissionais têm direito a um intervalo que não é cronometrado quando estão cansados. Professores têm 10 minutos de intervalo, quando têm de escolher entre ir ao banheiro ou tomar às pressas o cafezinho. Todos os profissionais têm direito ao vale alimentação, professor tem que se sujeitar a um lanchinho, pago do próprio bolso, mesmo que trabalhe 40 h.semanais. E a saúde? É a única profissão que conheço que embora apresente atestado médico tem que repor as aulas. Plano de saúde? Muito precário.    Há de se pensar, então, que  são bem remunerados… Mera ilusão!

 Por isso, cada vez vemos menos profissionais nessa área, só permanecem os que realmente gostam de ensinar, os que estão aposentando-se e estão perplexos com as mudanças havidas no ensino nos últimos tempos e os que aguardam uma chance de “cair fora”.Todos devem ter vocação para Madre Teresa de Calcutá, porque por mais que  esforcem-se em ministrar boas aulas, ainda ouvem alunos chamá-los de “vaca”,”puta”, “gordos “, “velhos” entre outras coisas. Como isso é motivante e temos ainda que ter forças para motivar. Mas, ainda não é tão grave. Temos notícias, dia-a-dia,  até de agressões a professores por alunos. Futuramente, esses mesmos alunos, talvez agridam seus pais e familiares.
Lembro de um artigo lido, na revista Veja, de Cláudio de Moura Castro, que dizia que um país sucumbe quando o grau de incivilidade de seus cidadãos ultrapassa um certo limite. E acho que esse grau já ultrapassou. Chega de passar alunos que não merecem. Assim, nunca vão saber porque devem estudar e comportar-se na sala de aula; se passam sem estudar mesmo, diante de tantas chances, e com indisciplina… E isso é um crime! Vão passando série após série, e não sabem escrever nem fazer contas simples. Depois a sociedade os exclui, porque não passa a mão na cabeça. Ela é cruel e eles já são adultos.
Por que os alunos do Japão estudam? Por que há cronômetros? Os professores são mais capacitados? Talvez, mas o mais importante É QUE HÁ DISCIPLINA. E é isso que precisamos e não de cronômetros.  Lembrando: o professor estadual só percorre sua íngreme carreira mediante cursos, capacitações que são realizadas, preferencialmente aos sábados. Portanto, a grande maioria dos professores está constantemente estudando e aprimorando-se.
Em vez de cronômetros, precisamos de carteiras escolares, livros, materiais, quadras-esportivas cobertas (um luxo para a grande maioria de nossas escolas), e de lousas, sim, em melhores condições e em maior quantidade. Existem muitos colégios nesse Brasil afora que nem cadeiras possuem para os alunos sentarem. E é essa a nossa realidade!  E, precisamos, também, urgentemente de educação para que tudo que for fornecido ao aluno não seja destruído por ele mesmo.
Em plena era digital, os professores ainda são obrigados a preencher os tais livros de chamada, à mão: sem erros, nem borrões  (ô, coisa arcaica!), e ainda assim se ouve falar em cronômetros. Francamente!!!
Passou da hora de todos abrirem os olhos  e fazerem algo para evitar uma calamidade no país, futuramente. Os professores não são culpados de uma sociedade incivilizada e de banditismo, e finalmente, se os professores  até agora  não responderam a todas as acusações de serem despreparados e  “incapazes” de prender a atenção do aluno com aulas motivadoras é porque não tiveram TEMPO. Responder a essa reportagem custou-me metade do meu domingo, e duas turmas sem as provas corrigidas.