Archive for the ‘Manaus’ Category

O Trânsito de Manaus e suas Imperfeições

Por Rafael Luiz

O trânsito de Manaus não pode ser definido simplesmente como caótico. Ele tem umas peculiaridades que provavelmente não há em outros locais do Brasil. É único e quem é de fora do Estado pode até duvidar que esses fatos possam ser verdade. Infelizmente vemos essas diferenças in loco sem muitas dificuldades.

Para início, para participar do trânsito o motorista de Manaus costuma pagar mais caro pelo combustível do que a média do restante do país. Assim como os outros produtos, a gasolina que chega a Manaus passa por problemas logísticos, vide que a cidade é muito isolada, com poucos acessos rodoviários. E se o combustível aumenta no restante do país, o efeito acaba sendo maior ainda na capital amazonense, fato que inclusive passa a ser comprovado nesta segunda-feira (4) com o aumento da gasolina de R$ 2,70 para R$ 3,00.

Saindo do posto de gasolina para as pistas da cidade, o motorista se depara com os fatos estranhos. Entre os mais evidentes estão os buracos da pista. Se o motorista costuma ter uma rotina diária, ele acaba aprendendo onde os buracos estão e poupando o alinhamento do carro. Um mapa de buracos acaba sendo criado na mente do motorista. Do contrário, se andando em pista desconhecida, o motorista manauara está constantemente sujeito a cair em um buraco, ou uma cratera ou até em um bueiro aberto.

Chuva em Manaus é sinônimo de engarrafamento. O motorista de Manaus parece não ter aprendido a diminuir a velocidade quando chove e quase sempre há acidentes nas principais vias da cidade. E quando a chuva passa, mesmo após algumas horas você ainda pode se deparar com mirabolantes poças de lama e se você passar com velocidade razoável, você aprende como surfar, trocando a prancha por um carro.

Em pista seca e mesmo você tendo boa visibilidade, não se surpreenda se do nada aparecer na sua frente uma elevação na pista da mesma cor do asfalto. Ou é uma lombada não sinalizada ou é um dos “mondrongos” da pista. Você já aprendeu a surfar em um carro, agora você está tendo a mesma sensação quando você anda a cavalo. Dificilmente seu carro vai se sentir andando em local plano.

Outro problema encontrado na pista é a sinalização da mesma. Pelo que parece, a maioria das faixas foram pintadas com cal, tendo pouca durabilidade na pista e se tornando cada vez mais invisíveis, gerando ao motorista uma confusão se o mesmo está de fato respeitando seu local na via.

Se um cruzamento de vias em Manaus apresenta muitos engarrafamentos diários, surge uma bola e mais tarde a bola é desfeita e transformada em viaduto. Manaus de fato não é uma cidade planejada. E se você acha que o viaduto resolve tudo, se engana. O planejamento é tão mal feito que em Manaus (e somente nesta cidade no Brasil) o motorista se depara com um sinal embaixo do viaduto.

Se o motorista de Manaus está com um pouco de pressa, nem sempre ele vai usar a pista esquerda (a de maior velocidade). Em algumas vias, ainda existem ônibus do falido projeto expresso (ou chamado carinhosamente de “estresso” pela população) que vão parar na pista esquerda para apanhar passageiros na “parada”. O jeito é ir para a pista central nesses casos. Mas na direita cuidado com os micro-ônibus, pois eles não precisam de uma parada pra apanhar passageiros, eles podem parar em qualquer lugar. E se tiver na Zona Leste, redobre a atenção com eles.

Caso os motoristas de Manaus estejam andando rápido demais, radares meramente estratégicos e “educativos” são implantados. Não importa se o próprio radar criar um engarrafamento por conta da baixíssima velocidade limite, o importante é multar, digo, educar o motorista. Recomenda-se até para os ciclistas terem cuidado com esses radares. E fora dos radares, o limite máximo de velocidade encontrado na cidade é 60km/h (por lei), mas geralmente a média de velocidade na Torquato Tapajós é 80km/h e se você anda no limite estipulado por lei na pista esquerda, com certeza vai levar um buzinaço ou pelo menos uma luz alta. Mas convenhamos, os limites de velocidade de vias como essa são ridículos.

Não se surpreenda, motorista interestadual, se você ver um ônibus parado com pista alerta ligado e com um galho atrás dele ou na pista próximo a ele. Esse galho significa que tal ônibus de mais de 8 anos de uso está no prego. Com o tempo, pouco tempo, você irá se acostumar com isso.

Mas o motorista manauara não é santo. As faixas de pedestre parecem ser enfeite e agora pintaram em volta de vermelho pra ver se o motorista ganha um pouquinho de consciência para ter educação com o pedestre. E o pedestre é santo? Não. Muitos deles atravessam bem próximo da passarela, onde o caso mais conhecido é nas proximidades do Amazonas Shopping.

Mas se você quer ter o privilégio de se deparar com tudo isso no trânsito, não deixe de pagar o seu caríssimo IPVA, que vão custear os asfaltos meramente vagabundos e os projetos das obras de bolas e viadutos que não resolverão problema algum. E boa sorte pra manter seu carro em ótimo estado e com custos baixos.

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Centro de Manaus: Um Choque de (des)ordem

Por Tiago Gabriel

Segundo a lógica existente no mundo, a tendência das organizações, processos e práticas é, com o passar dos tempos, vir se modernizando e otimizando a qualidade de vida dos membros integrantes de uma população, através da evolução tecnológica e experiências adquiridas na operacionalização de atividades.

Passado seus 341 anos, Manaus parece que não obedeceu a essa lógica. O Centro, a região mais antiga da cidade, parece que passou pelo processo inverso ao de modernização, com exceção de algumas características da evolução do mundo – carros, ônibus, poluição e redução das características históricas e naturais-, conseqüências do crescimento urbano.

Dos tempos áureos da borracha, no qual Manaus passou por uma de suas melhores fases de desenvolvimento, onde a cidade foi a primeira do Brasil a ter iluminação pública, uma das mais ricas e belas cidades do país, na qual o sistema de transporte e esgoto era eficiente, além de ser a primeira a possuir uma universidade pública federal, muita coisa mudou.

Hoje, o cenário é completamente diferente. O Centro está em estado de abandono. Os prédios característicos da época de ouro dessa terra estão dando lugar a construções modernas para os padrões de hoje, mas sem a beleza imponente daquela época. Isso quando os prédios não estão caindo aos pedaços, condicionando risco inclusive para os transeuntes.

A região da Praça da Matriz foi consumida pela ilegalidade e a podridão. Prostíbulos a céu aberto e em atividade 24 horas por dia, funcionando em “conformidade” com tudo aquilo que é de ilegal. Marginais amedrontando a quem, ainda, se aventura de freqüentar aquela área. Pedintes, alcoolizados, drogados e deficientes mentais trafegando sem auxílio do governo, que deveria zelar pelo seu bem e de quem corre o risco de ser atacado por esses.

No Centro é possível praticar a paciência e o contorcionismo ao desviar de buracos, desníveis, barraquinhas e produtos expostos nas calçadas, todos, servindo como instrumentos para “desenvolver essas habilidades”, sendo que as barraquinhas, conhecidos como camelôs, são legalizadas pelo governo para tirar do pedestre a liberdade do ir e vir e para vender produtos ilegais.

Ainda analisando o Centro, tem-se o terminal de ônibus da Matriz, um monstrengo que prejudica visual e estruturalmente a região, uma ofensa a beleza arquitetônica dos prédios históricos e um complicador da trafegabilidade, gerada pela dimensão do empreendimento e pelo excesso de ônibus, fruto da falta de planejamento do poder público. Outro agravante complicador do trânsito é a falta de respeito dos motoristas e a falta de fiscalização com o intuito de inibir a desordem. São alguns dos fatores que condicionam ao caos atual que se encontra o Centro.

Existem alguns projetos e intenções para humanizar a região, dentre eles há o Camelódromo que está com sua obra paralisada devido um embargo da Justiça Federal do AM desde agosto de 2010; o novo sistema de transporte coletivo que ainda permanece no mundo das idéias e, também, enfrentando barreiras na justiça; a retomada e reforma do porto que está em discussão desde a sua privatização e outras intenções que dependem da vontade política, como a fiscalização do trânsito e a reintegração dos passeios públicos.

Espera-se que as soluções não tardem e que não sejam feitas com prazo para acabar, assim como muitas outras boas intenções que foram postas em prática temporariamente com o intuito de dirimir a pressão da população e da mídia. A nossa Manaus, o nosso povo precisa trafegar e admirar as belezas daquela região sem a preocupação de esbarrar em barreiras e ser intimidado por pessoas que se acham donas das ruas e calçadas. Está na hora de um verdadeiro choque de ordem!

Causa e efeito

Por Tiago Gabriel

Colaboração: Rafael Luiz

Virou praticamente rotina, nos dias de chuva a avenida Getúlio Vargas, no Centro da capital do Amazonas, Manaus, transforma-se praticamente em um rio, além de outras inúmeras regiões da cidade, principalmente as mais periféricas. Cidade essa que vai sediar em aproximadamente três anos o maior evento esportivo do mundo, a Copa do Mundo Fifa de futebol. É de se perguntar: Como é possível uma cidade tão rica, como Manaus, ter problemas tão medievais como esse?

Não se está aqui para fazer juízo de valor, mas a culpa não é integralmente do poder público.

Manaus possui um dos melhores sistemas de coleta de lixo do país, exclui-se ai a coleta seletiva. A população, como um todo, sofre de um mal chamado egocentrismo, a mesma está mais preocupada consigo do que com o coletivo. Basta você olhar para as ruas do Centro da cidade. Mesmo a Prefeitura instalando aproximadamente 200 novos cestos de lixo nas últimas semanas, os transeuntes preferem despejar a sua ignorância no passeio público com a imensa incoerência de quem depois critica o poder público, reclamando que a sua residência fora alagada por uma enchente. Fazendo uma analogia, é como você criticar políticos corruptos, mas ser tão corrupto quanto quem está em evidência na mídia devido o fato de ser um homem público, ao vender seu voto por míseros 20 reais, ou até mesmo furar fila e fazer coisas erradas porque não tem ninguém olhando. Não sabe o infeliz que aqueles 20 reais serão multiplicados em infinitas casas decimais de dinheiro subtraído dos cofres do estado, e que farão falta para a construção de escolas, postos de saúde, delegacias e tantas outras obrigações do estado com a sociedade. Pensa, ele, que está fazendo um grande negócio.

Não se faz divisão de classes sociais, pois esta problemática não se concentra somente nas classes sociais mais baixas, sendo que ela é uma das faixas da sociedade mais afetadas devido, dentre outros problemas gerados, o acúmulo de lixo resultar em enchentes. Até os denominados superiores, intelectual e financeiramente, da classe média, mesmo partindo-se do princípio que a “educação” chegou com mais intensidade em seus lares, muitos não estão minimamente preocupados com a coletividade, despejando de seus carros sua ignorância em forma de latas, papéis e outros objetos, como se o saquinho de lixo no interior do veículo fosse um mero enfeite decorativo.

Para agravar essa situação, tem o descaso da iniciativa privada, e até do poder público, em promover a higienização em eventos populares, onde todos são induzidos a jogar o que for consumido no chão, porque não são disponibilizados depósitos para dar destino adequado ao lixo.

É necessária a implantação de políticas públicas para melhorar a qualidade do ensino, que é umas das possíveis causas desse efeito (falta de educação da população), apesar de muitos críticos afirmarem que essa educação é de base familiar, além da reeducação da sociedade através de campanhas de conscientização das problemáticas geradas por essas atitudes, até mesmo medidas repressoras e punitivas aos que persistirem no erro.

E você, também vai continuar jogando seu lixo nas ruas? Se não o faz, parabéns!