O cachorro e o peixinho

Por Xico Branco

Um cachorrinho estava tentando pegar sua bola que caiara num pequeno lago, tentava em vão puxá-la com sua curta pata. Um peixinho que assistia a cena do fundo do lago, ao perceber que a bola se distanciava cada vez mais, decidiu ir até lá. Nadou até perto e colocando a cabeça para fora perguntou:

 – Oi seu bicho peludo! O que estar tentando fazer?

 – Au, au, au. – Foi a resposta dada pelo cachorrinho que se assustou com as palavras do peixinho.

– Calma! – Disse o peixe. Sou amigo. Apenas quero saber o que você estar fazendo.

 – Ah sim! – Respondeu o cachorrinho. Eu to querendo pegar minha pequena bola. Estava brincando, ela rolou e caiu na água. Não sei nadar e tenho medo de entrar na água para buscá-la.

 – Olha amigo, eu poderia dar uma cabeçada nela e tira-la para você. –Falou o peixinho balançando a cabeça fora d´água. Mas já vi um igual você nadando aqui no lago. Sei que você pode nadar. Basta entrar na água e bater suas nadadeiras.

– Mas amigo, eu não tenho nadadeiras. Tenho patas. Sou um cachorro. – Disse ele mostrando as pequenas patas.

– Use-as para nadar. – Incentivou o peixinho. Veja como eu faço! E mostrando as suas nadadeiras ele as bateu contra a água.

– Eu tenho medo! – Retrucou o cachorrinho. – Pegue a bola para mim. – Insistiu mais uma vez. –

Não! Você terá que entrar na água e busca-la. Vamos, tente amigo!

Mesmo com muito medo o cachorrinho foi entrando vagarosamente na água.

 – Ai, ta fria! – Resmungou ele tentando voltar.

– Não volte! Continue! Você consegue amigo. – Encorajou o peixinho. Vamos estou bem do seu lado.

 O Cachorrinho foi cada vez mais para dentro da água até seu corpo flutuar. Quando ele percebeu que estava afundando bateu as patas freneticamente e, para sua surpresa, ele começou a nadar.

– Viva! Parabéns! – Gritava o peixinho para seu novo amigo.

– Consegui, consegui! – Dizia o cãozinho todo contente.

Enquanto eles brincavam com a bola, muito alegres agora. A mãe do peixinho que estava de longe observando tudo pensou consigo: “É, mais vale ensinar a pescar do que darmos o peixe”

Anúncios

O Trânsito de Manaus e suas Imperfeições

Por Rafael Luiz

O trânsito de Manaus não pode ser definido simplesmente como caótico. Ele tem umas peculiaridades que provavelmente não há em outros locais do Brasil. É único e quem é de fora do Estado pode até duvidar que esses fatos possam ser verdade. Infelizmente vemos essas diferenças in loco sem muitas dificuldades.

Para início, para participar do trânsito o motorista de Manaus costuma pagar mais caro pelo combustível do que a média do restante do país. Assim como os outros produtos, a gasolina que chega a Manaus passa por problemas logísticos, vide que a cidade é muito isolada, com poucos acessos rodoviários. E se o combustível aumenta no restante do país, o efeito acaba sendo maior ainda na capital amazonense, fato que inclusive passa a ser comprovado nesta segunda-feira (4) com o aumento da gasolina de R$ 2,70 para R$ 3,00.

Saindo do posto de gasolina para as pistas da cidade, o motorista se depara com os fatos estranhos. Entre os mais evidentes estão os buracos da pista. Se o motorista costuma ter uma rotina diária, ele acaba aprendendo onde os buracos estão e poupando o alinhamento do carro. Um mapa de buracos acaba sendo criado na mente do motorista. Do contrário, se andando em pista desconhecida, o motorista manauara está constantemente sujeito a cair em um buraco, ou uma cratera ou até em um bueiro aberto.

Chuva em Manaus é sinônimo de engarrafamento. O motorista de Manaus parece não ter aprendido a diminuir a velocidade quando chove e quase sempre há acidentes nas principais vias da cidade. E quando a chuva passa, mesmo após algumas horas você ainda pode se deparar com mirabolantes poças de lama e se você passar com velocidade razoável, você aprende como surfar, trocando a prancha por um carro.

Em pista seca e mesmo você tendo boa visibilidade, não se surpreenda se do nada aparecer na sua frente uma elevação na pista da mesma cor do asfalto. Ou é uma lombada não sinalizada ou é um dos “mondrongos” da pista. Você já aprendeu a surfar em um carro, agora você está tendo a mesma sensação quando você anda a cavalo. Dificilmente seu carro vai se sentir andando em local plano.

Outro problema encontrado na pista é a sinalização da mesma. Pelo que parece, a maioria das faixas foram pintadas com cal, tendo pouca durabilidade na pista e se tornando cada vez mais invisíveis, gerando ao motorista uma confusão se o mesmo está de fato respeitando seu local na via.

Se um cruzamento de vias em Manaus apresenta muitos engarrafamentos diários, surge uma bola e mais tarde a bola é desfeita e transformada em viaduto. Manaus de fato não é uma cidade planejada. E se você acha que o viaduto resolve tudo, se engana. O planejamento é tão mal feito que em Manaus (e somente nesta cidade no Brasil) o motorista se depara com um sinal embaixo do viaduto.

Se o motorista de Manaus está com um pouco de pressa, nem sempre ele vai usar a pista esquerda (a de maior velocidade). Em algumas vias, ainda existem ônibus do falido projeto expresso (ou chamado carinhosamente de “estresso” pela população) que vão parar na pista esquerda para apanhar passageiros na “parada”. O jeito é ir para a pista central nesses casos. Mas na direita cuidado com os micro-ônibus, pois eles não precisam de uma parada pra apanhar passageiros, eles podem parar em qualquer lugar. E se tiver na Zona Leste, redobre a atenção com eles.

Caso os motoristas de Manaus estejam andando rápido demais, radares meramente estratégicos e “educativos” são implantados. Não importa se o próprio radar criar um engarrafamento por conta da baixíssima velocidade limite, o importante é multar, digo, educar o motorista. Recomenda-se até para os ciclistas terem cuidado com esses radares. E fora dos radares, o limite máximo de velocidade encontrado na cidade é 60km/h (por lei), mas geralmente a média de velocidade na Torquato Tapajós é 80km/h e se você anda no limite estipulado por lei na pista esquerda, com certeza vai levar um buzinaço ou pelo menos uma luz alta. Mas convenhamos, os limites de velocidade de vias como essa são ridículos.

Não se surpreenda, motorista interestadual, se você ver um ônibus parado com pista alerta ligado e com um galho atrás dele ou na pista próximo a ele. Esse galho significa que tal ônibus de mais de 8 anos de uso está no prego. Com o tempo, pouco tempo, você irá se acostumar com isso.

Mas o motorista manauara não é santo. As faixas de pedestre parecem ser enfeite e agora pintaram em volta de vermelho pra ver se o motorista ganha um pouquinho de consciência para ter educação com o pedestre. E o pedestre é santo? Não. Muitos deles atravessam bem próximo da passarela, onde o caso mais conhecido é nas proximidades do Amazonas Shopping.

Mas se você quer ter o privilégio de se deparar com tudo isso no trânsito, não deixe de pagar o seu caríssimo IPVA, que vão custear os asfaltos meramente vagabundos e os projetos das obras de bolas e viadutos que não resolverão problema algum. E boa sorte pra manter seu carro em ótimo estado e com custos baixos.

O exemplo do Japão

Por Valmir Lima

 Na semana passada, uma fotomontagem com imagens do Japão na internet virou sensação no Brasil e serviu de pauta para os telejornais nacionais. Eram duas imagens de uma autoestrada, a primeira com os estragos causados pelo terromoto e a segunda, a mesma estrada recuperada.

As imagens, em si, nada diziam, mas o texto com a informação de que o serviço de recuperação fora feito em apenas seis dias, causava, no mínimo, surpresa. Talvez em outros países, como nossa vizinha Colômbia (para não ir longe) tais imagens não tivessem tamanho impacto como no Brasil. Por que será?

Não é, como sugeriu o ‘Jornal Nacional’, porque os japoneses têm uma “capacidade de superação” acima da média mundial que o fato deveria interessar ao Brasil, mas pela oportunidade de comparar a competência e seriedade dos japoneses com a incompetência e irresponsabilidade dos nossos homens públicos e privados (é, privados, sim, porque a autoestrada foi reconstruída pela empresa concessionária) brasileiros.

 “Então pronto, tá explicado”, diriam nossas autoridades. O problema brasileiro estaria na estatização das estradas, certo? Errado. E o caso da concessão dos serviços de água e esgoto de Manaus está aí para comprovar. Os serviços de internet, privados até os dentes, também servem de parâmetro, se quisermos comparar o público e o privado.

O problema não está na privatização ou estatização dos serviços, mas na falta de seriedade. Falta cidadania aos brasileiros. É a cidadania japonesa que está acima da nossa. Lá, os acionistas da empresa têm consciência de que eles também precisam da estrada (no Brasil, os grandes empresários usam helicópteros para fugir das ruas esburacadas e congestionadas). E se a empresa japonesa falhar na prestação dos serviços, certamente receberá punição severa.

Aqui, os governos contratam empresas privadas para fazer os serviços de recuperação de estradas e ruas e a qualidade dos serviços é bem conhecida. O asfalto é descartável. Os fornecedores estabelecem uma vida útil curtíssima para o material para que não lhes faltem clientes. Nada no Brasil é feito para durar, mas tudo é pago com valores bem acima dos praticados nos países desenvolvidos.

Citei a Colômbia, acima, para que ninguém levante a velha e conhecida ‘lenga lenga’ de que não se pode comparar país de ‘primeiro mundo’ com de ‘terceiro mundo’. Sugiro que nossas autoridades visitem as ruas de Bogotá. Lá, um cidadão que anda de carro não tem a sensação de que está andando a cavalo, como ocorre em Manaus.

Obs: Esse e outros textos podem ser visualizados n Blog do autorhttp://blogs.d24am.com/valmirlima

Mania de Ser

 Por Xico Branco

Quem  trabalha  ou  trabalhou  em alguma  fábrica de Manaus e conhece o sistema de transporte que as empresas usam para levar e trazer seus  funcionários,  também  já devem,  como  eu,  ter passado diversas situações dentro  destes amigos nossos de cada dia: os ônibus de rota.
A  que  vou  lhes  narrar  é uma  vivida  por  mim  há alguns  anos. Certo dia, íamos  para  a  empresa logo pela manhã e o  ônibus pregou de repente. Ai foi que percebi  como  a  maioria  de  nós nestas  situações se tornam especialista imediato  da matéria.  Neste caso, mecânica de ônibus velho.
O  trambolho  havia  parado do nada numa  ladeira e não pegava de jeito nenhum.  A moçada imediatamente começou  o alvoroço:

– Empurra,  bota a mulherada pra empurrar. – Gritou um. Outro mais afoito disse:

– Foi o pino da parafuseta que quebrou!  – A gargalhada foi geral.

Aquele mais gaiato que não deixa nada passar em branco sem tirar uma casquinha, aproveitou e berrou lá de  trás:

– Isso é mulher de bode, meu irmão. Duvido se num é!

Pronto. A confusão estava feita. Foi o que faltava pras gatinhas e as já não tão gatinhas entrarem na onda. Foi uma chiadeira  geral.

Uma retrucou:

– Isso deve ser  algum corno magoado  que ta azarando a rota!

– Que nada!  Isso  é algum boiola camuflado que  tem aqui dentro. Ele deve ter brigado com o bofe e veio pra rota cheio de mágoa. –

Disse a Célia do Almoxarifado II.

Essa foi a campeã de risos até então. Foi  aquela  zona  geral. Enquanto isso o coitado do motorista tentava desesperadamente consertar o ônibus. Os colegas menos afoitos e que não entraram na onda  do xinga pai e xinga mãe,  davam suas catedráticas  opiniões:

– Eu tenho certeza que isso é carburador sujo! – Falou o João do áudio. O Zé lá do vídeo, retrucou na hora:

– Que nada! Se fosse carburador tinha engasgado antes e não  engasgou! Isso foi à pressão do  óleo que baixou e travou as roda.

– Ta doido Zé! – Gritou o Vítor da engenharia. Eu estudei mecânica na Escola Técnica. Isso é injeção eletrônica. Bico sujo!

– Então rasga teu diploma de engenheiro sua anta! -Disse rindo o hilário Nonato da manutenção. Tu achas mesmo que essa lata vela tem injeção eletrônica é? Isso aqui é mais velho que a posição fazer necessidade agachado. É do tempo que lamparina dava choque!

– Pronto. Foi outro momento de risadas pra todo lado dentro do velho ônibus.
Nessa  mesa  redonda  de  claras  e  objetivas  opiniões sobre a ciência  das leis  do  movimento  e  do  equilíbrio; que teoricamente  explicavam  a  ação e o  efeito dos vários  porquês  relacionados  ao  fato; eu, quieto e calado. Atenciosamente ouvindo, mas não  entendendo nada. Num dado momento pensei em alertar os caros colegas que estávamos num ônibus velho e não num foguete a caminho da lua, dado a gama e o teor de algumas opiniões, do tipo que:

– …Aquilo era  coisa  da aerodinâmica do  chassi lateral, que estava  em  desacordo  com  a  potência  real  de empuxo do  motor,  em  relação  ao  efeito  do  ar,  numa  subida  de  45 graus. – Firmemente  defendida pelo Leonel  lá do CQ. Depois descobriria que ele era meio maluco mesmo.

Graças a Deus  não  foi preciso minha  intromissão. O tempo  havia  passado  é já chegava  outro  ônibus  para  dar continuidade à rota.

Eu, agradecido, sorri. E sem falar, apenas pensando, descobri que o burro ali era eu. Pois não entendia patafinas de  prego  de  ônibus.  Mas  que seguindo o ditado e mantendo minhas  orelhas abaixadas,  havia ganhado uma estória de  mão beijada.

Tão jovens, tão bonitos…tão…vazios

Blog da autora: http://www.alinepostigo.blogspot.com

Extraído de: http://blogs.d24am.com/alinepostigo/2010/08/11/tao-jovens-tao-bonitos-tao-vazios/

@alinepostigohttp://twitter.com/alinepostigo

Fútil todo mundo é um pouco, mas talvez a juventude de hoje esteja passando um pouco da conta…

É impressão minha ou a maioria dos adolescentes de hoje não estão mais conseguindo reunir o tico e teco para trabalharem em prol de uma causa menos fútil?

Em uma conversa recente com uma jovem de 16 anos, linda por sinal, tive a ligeira impressão que a maioria dos colegas que ela convive estão no mesmo nível de conteúdo que ela está, ou seja, nível nenhum.

Sim, fútil todo mundo é um pouco. Eu sou, você é e que chato se todo mundo ficasse só comentando sobre política e os livros da Clarice Lispector por aí. Mas existe um nível de futilidade a ser praticado, principalmente para mulheres bonitas, que já são discriminadas logo de cara. Aliás, mulher bonita tem sempre que provar que é inteligente… claro, se ela for mesmo.

E aí eles sabem com detalhes o último clip da lady Gaga e a nova boate. Mas dificilmente sabem, nem por alto, sobre as notícias em evidência. As meninas se preocupam com quão liso estão seus cabelos  e em que nível de anorexia estão nesta semana, os meninos com os aros dos carros e os centímetros do braço e as garrafas de “Red”.

São estes mesmos jovens de 16 anos que já possuem a responsabilidade de escolher alguém para votar. E tudo bem se eles fizerem péssimas escolhas, porque tem muito adulto fazendo também. Mas fica extremamente complicado exercer esse direito de cidadão (até o de escolher mal)  se eles não têm a mínima noção de quais candidatos concorrem à Presidência. Por favor, ao menos pra Presidência, já que é número menor de candidatos que o de Deputados.

Isso é tão triste. Eles são tão jovens, tão bonitos… tão… vazios. E não que eu fosse a grande menina madura aos 16 anos, mas me recuso a acreditar que eu era assim. Não, nem eu, nem os meus. Nós, ao menos, assistíamos a algum jornal da TV, nem que fosse ao que antecedia à novela. Nosso nível de alienação nunca foi tão grande quanto aos que vejo pelos lugares que frequento.

É realmente lamentável. A alienação é uma grande prisão. É um analfabetismo mental.  Você não consegue perceber, nem interpretar a realidade a sua volta, assim como um analfabeto não consegue entender as letras.

E assim como é um preconceito considerar que as mulheres bonitas são burras, também seria injusto dizer que só os jovens com situação monetária acima da média são alienados.  A alienação não tem nada a ver com classe social,   ela não é privilégio dos que tem mais dinheiro.

Também não é desculpa não conseguir entender determinada realidade só porque você não a viveu, se fosse por isso teríamos todos que passar fome para conseguir perceber a miséria que existe no mundo.

E não é culpa do capitalismo, do culto à beleza, da moda, do consumismo, da internet, dos professores, da internet, das propagandas, não, não é culpa de nada disso. A informação está aí, muito mais acessível que antes, escolher dar uma olhada no que acontece fora do nosso orkut é só uma questão de escolha.

O que me preocupa mesmo é que com um ano a mais, em média 17 anos, esses mesmos jovens vazios estarão assinalando em formulários de vestibulares o que terão que fazer pelo resto de suas vidas. E 1 ano é muito pouco para esse avanço de maturidade. Só tenho medo pelo choque que terão ao descobrir que nas opções de graduação não há nenhuma caixinha de seleção para marcar Big Brother Brasil.

Desculpa bem bolada

Por Xico Branco

Rodrigo era considerado um rapaz comum. Na rua onde morava era mais um dentre muitos. Tinha os mesmos hobby da turma; estudava no mesmo colégio do bairro; jogava bola de tardinha com a moçada, enfim, levava uma vida normal. Seu pai era carpinteiro. E sempre que podia lhe dava algumas dicas da profissão, que já com treze anos. – pensava o pai. Devia aprender uma profissão. Afinal de contas, daquela velha carpintaria tirara e tirava o sustento da família até hoje com muito orgulho. Vira para Manaus em sessenta e nove com a mulher e a filha mais velha, Lúcia. Aquela época foi morar no bairro de Educandos, próximo a feira da Panair em um quartinho alugado de três por quatro. Trabalhara de carregador, peixeiro, vendedor de merenda, enfim, fizera de tudo um pouco. Carpintaria era coisa que ele não tirara da mente nenhum instante: – “Um dia ponho minha oficina e vou trabalhar tranquilo”. – Dizia Seu Raimundo sempre.

A vida era dura. Dinheiro difícil. Lúcia estudava o primeiro grau no Colégio Estelita Tapájos, afinal  levava como um dos nomes o famoso rio de sua terra natal, Tapajós. E isso era uma lembrança boa para eles.

Do último trabalho como vendedor de merenda conseguiu juntar algum dinheiro. Pouco; mas o suficiente para em 1980 comprar um chão lá no bairro da Glória, onde viveriam até 1995. Na glória, já no que era seu, colocou sua tão sonhada Carpintaria e levou a cabo sua profissão de coração. Seus móveis faziam sucesso e a freguesia era muito boa. Em 1990 as coisas começaram a dar pra trás na Movelaria. Os pedidos eram poucos; mal dava pra comer e comprar madeira. A madeira havia aumentado muito nestes últimos anos e isso levava as pessoas a darem preferência pelos compensados e aglomerados dos móveis das lojas. Por isso, em 95,  Dona Ana, Lúcia, Seu Raimundo e agora Rodriguinho, decidiram em conjunto vender a casa e ir para outro bairro onde a oferta de clientes fosse melhor.

Depois de muito procurarem um lugar adequado as suas novas expectativas. Decidiram pela Cidade Nova I e pra lá foram. Compraram uma boa casa com terreno de dez por trinta, que já possuía nos fundos um belo galpão, levantado do muro até mais ou menos uns quatro metros do terreno; sendo esse um bom espaço para sua oficina. Logo no primeiro mês conseguiu ótimos pedidos. Isso porque antes de fechar negócio na casa havia dado uma sondada na área e vira que não havia nenhuma movelaria por perto. Bem, aqui começa a estória que quero narrar para vocês.

Rodrigo era o xodó de Seu Raimundo. Tudo que ele queria era que o filho se formasse em doutor. Pra isso deixava o moleque bem à vontade no serviço. Não cobrava dele mais que algumas peças lixadas por dia, mesmo porque tinha dois trabalhadores bons para o serviço, que contratara na comunidade.

A escola era sagrada. Os deveres de casa e as provas do filho eram motivos de severas observações de Seu Raimundo todos os dias. As notas de Rodrigo eram boas. Ele já estava na oitava série no ano de 96. No mês de maio as notas do menino começaram a cair gradativamente até o ponto de tirar sua primeira nota vermelha. Seu Raimundo quase fica doido. Foi bater na escola pra falar com a Diretora. Descobriu que Rodrigo desde que havia entrado para o grupo de dança de Boi Bumbá da escola que não pensava em outra coisa. Entre os colegas era fácil o ouvir dizendo que iria ser dançarino de toada de um grande cantor. Esse era o seu grande sonho.

– Pronto! Era o que me faltava. Esse moleque nunca me deu trabalho e agora vem com essa. – Resmungava Seu Raimundo para a Diretora do colégio.

– Olha Seu Raimundo, eu juro que pensava que o senhor sabia de tudo, pois quando foi preciso a autorização do responsável para ele entrar no grupo de dança e ser dispensado da educação física, ele até trouxe a autorização que eu mandei para a sua casa assinada por sua esposa, a Dona Ana. Olhe é esta a autorização.

De novo Seu Raimundo mudou de fisionomia.

– Num acredito, até a Ana sabia disso! Ela me paga!

– Ora Seu Raimundo, ele é ótimo dançando. O senhor precisa ver. O seu filho tem um grande futuro. E essa é a nossa cultura, pense bem. Aliás, ele foi inscrito num grande concurso que um famoso levantador de toada está promovendo para escolher um dançarino. Eu acho que ele tem todas as chances de ser vencedor. Dê uma chance pro seu filho Seu Raimundo!

– Mas Dona, eu quero que esse menino seja é doutor, não uma marica de dançarino de boi rebolando pra lá e pra cá com roupa de índio. Onde já se viu índio branco. O quê que meus vizinhos vão falar de mim. E meus conterrâneos? Ai meu Deus! Eu mato esse moleque! Deixa eu chegar em casa que ele me paga. – Dizia seu Raimundo em estado de raiva e perplexidade.

– Calma Seu Raimundo. Olhe o que lhe falei. Pense bem! – Tentava em vão a diretora apaziguar a situação.

Lá foi Seu Raimundo bufando de raiva pra casa. – Ah moleque! Me enganando e ainda por cima com a mãe dele sabendo de tudo. A Ana também vai ter que me dá boas explicações sobre essa tal autorização, ah se vai. De tão transtornado, nem notara que estava falando sozinho no meio da rua.

Quando chegou em casa foi logo chamando todo mundo pra sala e esbravejando:

– Muito bem! Quem vai ser o primeiro a me explicar esse negócio de dançarino. Você Rodrigo? Você Ana? Ou até mesmo você Lúcia? Que pelo visto só eu é que não to sabendo de nada. – Questionou ele vermelho de raiva.

– Pai! -Disse Lúcia. Calma pai.  Agente ia te falar. Só que agente ta esperando o resultado do concurso que sai hoje. Nós mandamos um DVD que foi gravada lá no colégio para ser avaliado e daqui a pouco sai pela rádio o nome do vencedor. Tenha paciência, por favor! – Finalizou ela tocando em seu ombro carinhosamente.

– Quer dizer que eu faço tudo pra você ser doutor em seu moleque? E você quer ser marica de boi, é isso é? – Falou levantando-se com as mãos na cabeça.

– Olha aqui Raimundo – Interrompeu Dona Ana. – Respeite o seu filho. Ele só ta fazendo aquilo que o coração dele diz ser melhor para ele. – O tom de voz de suas esposa soara ríspido.

– Ah é! E eu? Onde fica minha moral de pai?

– Raimundo, meu velho. –Continuou Dona Ana. Lembra quando agente morava lá no Educandos e você vivia dizendo: Um dia coloco minha oficina de móveis!  Lembra?
Seu Raimundo balançou a cabeça positivamente, mas completou dizendo. – Sim!  E o que aquilo tem a ver com essa frescura?

– Tem a ver que aquilo era seu maior sonho homem. E eu sempre estive do teu lado, pois sabia que você ia ser mais feliz fazendo aquilo que realmente gostava e não se matando em coisas que te faziam lamentar a vida. Foi por isso que quando ele veio me pedir pra autorizar eu assinei. Eu pensei na felicidade de nosso filho, deixei de lado meus orgulhos bobos e pensei nele. Conversei muito com ele e vi o brilho nos olhos dele quando me pedia. Você não iria deixar Raimundo, nós sabíamos disso. Desculpe-nos, nós não queríamos te enganar, apenas estávamos procurando ajudar o menino. Entenda por favor!

Um breve silêncio tomou conta da sala. Repentinamente Lúcia o interrompeu:

– Venham, vai sair o nome do vencedor. Corram! Pai! Mãe! Vem Rodrigo!
Todos foram pra perto do rádio. Seu Raimundo seguiu meio cabisbaixo, ainda sem aceitar muito bem a conversa. Nisso o locutor anuncia:

-… e o grande vencedor do concurso. Que irá dançar no grupo do famoso cantor de toadas, Silvano, que estará inclusive  partindo para a Europa na próxima semana para uma grande quantidade de shows, é: Rodrigo da Silva, da Cidade Nova I!

Enquanto a euforia tomava conta de todos e a vizinhança já entrava porta adentro gritando e batendo palmas, Rodrigo abraçou seu pai, deu-lhe um grande beijo e disse:

-Pai! Eu te amo! O senhor me perdoa, por favor? – Disse olhando em seus olhos.

-Ora filho! – Dando uma breve pausa falou alto – Por favor! Todos venham até aqui. Eu na qualidade de pai do mais novo dançarino dessa cidade quero dizer algo pra todo mundo ouvir. Meu filho muito obrigado! Muito obrigado a toda minha família pela lição que me ensinaram hoje  e que vale pra cada um de nós. Se agente tem um sonho. Se ama fazer alguma coisa, devemos lutar para que ele se torne realidade. E quando perguntarem se o meu filho já é doutor vou dizer que sim. Ele já é doutor sim! Doutor de dança de boi! E serei cada dia mais orgulhoso do filho que tenho. – Finalizou ele com olhos banhados de lágrimas.

Enquanto uns se abraçavam e outros choravam de alegria. Lúcia já colocava um CD de toadas para que a  primeira apresentação oficial do campeão começasse.

Tempestade de Ideias

Por Tiago Gabriel

Todas as organizações e pessoas passam por mudanças, querendo ou não, elas são obrigadas a se atualizarem, caso contrário sofrerão sérias conseqüências de um mercado cada vez mais exigente e insensível diante de quem para no tempo, causas convergentes da nova era, a Era da Informação.

Esses fatores condicionam a mudanças no ambiente externo e interno e a geração de ideias e inovações quem criem soluções para aumento da produtividade e eficiência, e a  redução de custos e despesas em uma organização, seja ela empresarial, pública ou familiar, otimizando, assim, seu funcionamento. Essas idéias não surgem facilmente, é necessário que pessoas a externem, e é preciso oferecer condições necessárias para isso. É, então, que surge o instrumento de captação de idéias, o chamado  Brainstorm.

A essência do Braisntorm é a realização de um encontro entre os membros de uma determinada organização, seja ela empresarial, pública ou familiar, criando um ambiente agradável para que as pessoas se sintam a vontade para externar ideias e soluções para alguma situação a ser melhorada e aprimorar o processo existente na mesma.

Nessa sessão de Brainstorm, também conhecida como Tempestade de Ideias, é necessário que haja um tema específico, a partir disso é importante ressaltar aos componentes que as criticas referentes as sugestões sejam adiadas até a última instância, com o intuito de não reprimir ou causar transtornos e debates desnecessários, o que pode tornar a reunião menos produtiva, pois, o maior empecilho para que as pessoas contribuam com sugestões é o medo da crítica feita pelos membros da organização.

Os membros participantes devem estar sentados de forma que todas possam ser visualizados, as idéias devem ser anotadas em um quadro negro ou em uma folha de papel para que se possa, ao final do tempo estabelecido ou quando as ideias tenham se exaurido, analisar e adaptar de acordo com as necessidades e capacidade da organização.

Então, como foi supramencionado, o Brainstorm é um instrumento de captação de ideias que venham possibilitar a otimização de uma atividade e processo de determinada organização, podendo ela ser aplicada, outrossim, na vida pessoal, fazendo autocrítica de seus atos e, perguntando de outras pessoas com que se relacione diariamente, quais seus defeitos que muitas vezes são imperceptíveis por você mesmo,  deixando-as livres para tecer sugestões de mudanças e críticas, evitando interrompê-la ou discordar das opiniões externadas para não intimidar ou reprimir quem analisa o cenário, nesse caso você.