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Manaus Moderna

Por Xico Branco

Havia três minutos que o despertador tridimensional me acordara com imagem e voz de minha filhinha brincando no chão da sala. Era hora de ir trabalhar. Levantei-me e segui em meu tapete planador rumo ao banheiro. Desliguei o sistema de ar condicionado apenas com um comando de voz. No banheiro, meu chuveiro me cumprimentou e disse que o banho estava “OK”. Enquanto tomava meu banho, videofonei para o computador de bordo de meu carro e disse que podia me aguardar no local de sempre. Depois do banho, vesti meu traje refrigerado, tomei minhas pílulas matinais e li algo no meu relógio de pulso das notícias do dia. Despedi-me de minha mesa e ela esboçou um sorriso em sua base digital e acionou o comando remoto de nossa doméstica cibernética, que imediatamente veio e pôs-se a limpar tudo.

Como era sexta-feira, Decidi descer de carona no helicóptero planador do rapaz que limpava as vidraças de meu apartamento no centésimo andar, localizado na área nobre do Ponta Negra High Tech Tower, e que naquele instante iria limpar os apartamentos subterrâneos. Cheguei ao meu estacionamento privativo; pelo qual pagava alguns milhares de Irreais por mês. Entrei em meu carro e segui pela antiga estrada da Ponta Negra; hoje, estrada Super Condutora. No caminho fui ficando por dentro do noticiário através de meu canal particular da TV-Car, que informava tudo sobre tudo, vinte e quatro horas por dia. Soube que na quinta-feira um vereador da ala oeste havia sido morto com quatro disparos atômicos dados por robores que ocupavam um carrocóptero preto, sem a placa de identificação laser. Com certeza mais um daqueles crimes insolúveis.

O computador de bordo me alertou da necessidade de abastecer e logo me indicou um posto de abastecimento que estava fazendo promoção. Autorizei a ida e logo estávamos abastecendo. Ao terminar paguei com meu cartão do Bit BEA e prosseguimos nosso caminho. Preferi evitar a Av. Constantino Nery, pois os engarrafamentos causado pelos ônibus velhos, ainda do século passado, deixavam o trânsito lento; além do que, soubera há pouco pelo telejornal, que naquele dia haveria manifestação dos jatos-taxistas pela legalização da profissão, além de uma passeata pela volta da meia passagem para os estudantes e idosos.

Cheguei ao centro suspenso da Zona Franca de Manaus, onde tinha uma agência de turismo, no horário de sempre. Ao descer, autorizei meu carro a seguir para o estacionamento e desligar-se.

Entrei em meu escritório. Cumprimentei minha secretária cibernética, Dona XKF3. Ela me retribuiu o bom dia e me informou que um de meus melhores guias havia pedido a conta hoje pela manhã, devido um cliente o tê-lo confundido com um humano. – Droga! Resmunguei. Tudo bem. Arranjaria outro. Afinal, li que existem uns modelos novos que além de falarem todos os idiomas do sistema espacial, ainda leem os pensamentos galaxianos.

Segui direto para minha sala onde um cliente me aguardava assistindo projeções tetra dimensionais de pacotes turísticos. Era um chinêsquiano, representante de um grupo que desejava conhecer a floresta Amazônica. Liguei meu tradutor de pulso e comecei explicando que para aquele fim dispúnhamos de dois pacotes fechados. Um que incluía estadia num hotel suspenso na selva por uma semana, além de passeios com tênis a jato sobre o encontro das águas e sobre áreas preservadas da  extinta floresta. Amazônica. E outro, que tinha estadia num hotel subaquático com vista à direita para o Rio Negro e à esquerda para o Rio Amazonas. Com passeios sobre a floresta de várzea e mergulhos com trajes iluminados que permitiam o mergulho noturno, além de passeios sobre tartarugas gigantes do século passado. Ele ficou bastante interessado e ficou de em breve acertar tudo com Dona XKF3.

Após uns instantes fui informado que o governador cibernético, Malzonbraquino Junior, acabara de conceder em decreto que a partir daquele dia nenhum robô prestaria serviços por menos de dois milhões de Irreais por mês. Dei graças a Deus ter perdido um há pouco. O motivo era a crise galáctica que estava abalando os mercados da via láctea e já chegara a nosso planeta, deixando Manaus com um dos custos de vida mais caros da via láctea.

Depois dessa liguei meu sósia celular e fui relaxar um pouco em minha cadeira virtual. A tarde teria que ir visitar uns clientes no Distrito Industrial da órbita de marte e precisava estar descansado para esta longa viagem de trinta e seis minutos.
Nota do Autor: Crônica escrita em 1990, revisada em 2009.

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Copa do mundo em Manaus. Será que vale a pena mesmo?

Por Arthur Nascimento

Fonte da foto: Divulgação

Bahamas, 31 de maio de 2009. O anúncio feito pelo presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Joseph Blater causou euforia em boa parte do Brasil. Naquele momento estavam decididas as sub-sedes para a Copa do mundo de 2014.

Eram 18 candidatas à sub-sede, e somente 12 seriam selecionadas para o mundial. Alguns dos estados já eram cartas marcadas na Copa do Mundo. São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre , Minas Gerais e Curitiba certamente já estavam no mundial pela importância econômica, política turística e social, faltando apenas ser divulgado o projeto vencedor.

Dentre os estados que ainda lutavam para serem escolhidos, um chamou a atenção pela grandeza do projeto. A escolha de Manaus como uma das sub-sedes deu muito o que falar nos quatro cantos do país. O mega e ousado projeto do estado do Amazonas abrange um cenário todo para sediar a copa, um projeto adequado às exigências técnicas e até ambientais. A construção de um novo estádio, hospitais, e a criação de um sistema hoteleiro e de transporte coletivo nos parâmetros Fifa são desafios que o estado deverá cumprir. O projeto ainda engloba a ampliação do aeroporto de Manaus, tudo a ser executado até o fim de 2012. Quanto custa isso? 6 bilhões de reais a serem distribuídos na infraestrutura do estado e construção de um novo estádio.

Com quase dois anos do anúncio, o estado do Amazonas se movimenta a passos de tartaruga. Não hei de me espantar caso Manaus fique de fora e que as obras sejam abandonadas posteriormente.

Recentemente o nosso amigo Tiago Gabriel explicou (muito bem por sinal) os entraves do monotrilho que deverá (ou deveria) ser construído. E o que falar então da megalomaníaca “Arena da Amazônia”. Um estádio que custará no mínimo 500 milhões aos cofres públicos, será que vale a pena mesmo? Quem vive em Manaus reconhece que a cidade tem outras prioridades, saúde, saneamento básico, transporte, etc. Dá pra levantar Manaus com 6 bilhões de reais. Não estou sendo contra a Copa em Manaus, sou contra a Copa do Mundo no Brasil mesmo. Não penso que o Brasil deva se curvar às exigências da dona Fifa e “investir” em coisas que pouco legado deixarão. Me preocupa muito também a transparência de todo esse investimento. Seria muito bom se o aeroporto de Manaus fosse realmente do padrão que Manaus merece ter. É ridículo para Manaus ter um aeroporto com um estacionamento tão precário. Desculpem a revolta, mas me irrita fingir que está tudo bem, quando realmente não está.

Torço muito para o futebol amazonense, mas não é desta forma que irá elevar o futebol local ao nível, de pelo menos do nordeste. É necessário investimento sério nos clubes, categoria de base, não em um estádio que será pouco usado após a Copa e sua manutenção será altíssima.

O porquê da não execução do projeto Monotrilho

Por Tiago Gabriel

 

O fato é que uma pessoa quando deseja se manter na mente do seu público, de alguma forma, precisa deixar um legado pra não ser esquecido ou, deve ela, estar constantemente “marcando presença”. Na política, usa-se bastante esse artifício para não ser esquecido pelos eleitores, mesmo que esses (artifícios) venham futuramente trazer prejuízos para a sociedade.

Uma delas é a realização de grandes obras, principalmente obras que tenham grande impacto visual, pois, pensam eles que, obra intangível como educação de qualidade, ou que fica em baixo da terra como esgoto e água ninguém vê, assim, não gera votos, mesmo que essas obras tornem-se obsoletas e deixem grandes gargalos para a população.

Das grandes obras propostas pelo estado como requisito para ser uma das subsedes da Copa de 2014, uma chamou bastante atenção e ganhou grande destaque devido ser novidade, sobre o qual pouquíssimas pessoas já tinham visto ou ouvido falar. O Monotrilho é um modelo de transporte de massa visualmente bastante atrativo, mas que na sua concepção é bastante duvidoso e preocupante, com seu estratosférico custo inicial estimado na vultosa quantia de 1.320.000.000,00 (um bilhão, trezentos e vinte milhões).

O Ministério Público Federal e o Ministério Público do Estado no exercício de suas funções constitucionais, visando a melhoria dos serviços públicos e de relevância pública, bem como ao respeito aos interesses, direitos e bens cuja defesa lhe cabe promover, em algumas recomendações feitas as diversas partes envolvidas na execução do projeto Monotrilho, nos alerta sobre algumas deficiências do mesmo, como segue nas afirmações extraídas do OFÍCIO N. 279/2011/4 OFCIVEL/PR/AM que faz referência à Recomendação Conjunta 01/2010/PRAM. (Link: http://www.pram.mpf.gov.br/institucional/acoes-do-mpf/recomendacao/Recomendacao_MPF_MP_AM_MONOTRILHO-MANAUS.pdf) como foi, RESUMIDAMENTE, postada abaixo:

1 – Deficiências no projeto básico

• Ausência de definição de detalhamento quanto às unidades ou estruturas físicas de integração intermodal para estações Jorge Teixeira e Cidade Nova;

• Materiais e equipamentos, alguns deles não se encontram detalhados na planilha orçamentária; • Projeto do pátio de estacionamento e manutenção de trens apresenta insuficiências no projeto básico e planilha orçamentária;

• Na análise técnica do Tribunal de Contas, constatou-se uma série de vícios de preços, inclusive superfaturamento; e

• Ausência de elementos necessários para a identificação do subsolo, podendo ocasionar aditivos contratuais ilícitos assim como já suportada na construção da Ponte Manaus-Iranduba, onerando em mais de 50% o valor da obra.

Portanto, segundo a Recomendação, o projeto básico encontra-se incompleto e não caracteriza completamente a obra e seu custo, fato que pode gerar vários riscos à Administração Pública em face de inevitáveis aditivos ilegais que serão futuramente firmados.

 2 – Inviabilidade Econômica-financeira

Em um dos estudos encaminhados para a Controladoria, foi adotada uma tarifa de R$ 2,50 para usuários exclusivos do monotrilho e de R$ 3,50 para usuários do Passa Fácil, que utilizariam os dois moldais integradamente. O valor alto poderia ocasionar a subutilização do sistema com o surgimento de serviços alternativos, vide o que ocorreu com o sistema de executivo, pois desconsidera o poder aquisitivo da população e a sua capacidade de suportar a tarifa estipulada, podendo ocorrer a ampliação de subsídios governamentais, ou seja, a população pagaria duas vezes pela utilização do transporte, uma vez diretamente no embarque e outra através dos tributos pagos pelo cidadão que seriam destinados a manter a saúde financeira na operação do modal que possui um alto custo de operação .

Outra questão levantada pela Recomendação feita ao governo, é que há indicativos de que, mesmo que sejam sanadas todas as questões relacionadas à economicidade tarifária e à integração física, o projeto corre o risco de saturação em data anterior aos 30 anos estipulados.

3 – Ausência de funcionalidade do Monotrilho

O espaçamento entre as estações é superior aos parâmetros recomendados de distanciamento entre as estações (600 metros mínimo, 1500 metros máximo), no projeto a menor distância encontrada foi de 1.600 metros para até 3.900 metros. Adotando-se o maior espaçamento possível entre cada estação, obter-se-ia um total de onze estações e não as sete previstas, o que compromete a acessibilidade ao sistema: acessibilidade locacional (proximidade aos pontos de embarque) e acessibilidade temporal (freqüência dos serviços).

Portanto, além de estar disponível, é necessário que se possa ingressar no sistema e dele utilizar, facilidade que não se verifica no modelo proposto, devido o maior distanciamento entre as estações.

4 – Capacidade máxima de transporte de passageiros

Considerando-se que cada composição transporta 1.000 passageiros (valor superestimado e irreal, pois nem o modelo mais moderno possui essa capacidade de transporte) chegar-se-ia a uma capacidade de transporte de 15.000 passageiros/hora-sentido, ou seja, inferior a demanda prevista para o ano de 2014, estipulada em 18.500 passageiros/hora-sentido, e em 2044 chegar-se-ia a uma capacidade de transporte de 24.000 passageiros/hora-sentido, inferior a demanda prevista de 33.914 passageiros/hora-sentido.

Portanto, conclui-se que o projeto deve atingir a capacidade máxima de transporte de passageiros em data anterior aos trinta anos previstos. Tendo em vista a demanda crescente por serviços de transporte ao longo dos anos, e considerando as limitações deste modal, o Monotrilho tende a perder confiabilidade, eficiência e, por conseguinte qualidade, comprometendo a sustentabilidade.

5 – Subdimensionamento do custo do monotrilho

 Em que se pese não ter sido disponibilizada a totalidade das informações solicitadas, conclui-se que, como demonstrado, o custo total do empreendimento deve extrapolar aos inicialmente previstos, podendo atingir R$ 2 bilhões.

6 – Do tombamento do centro histórico

O trajeto do Monotrilho sofre inferências junto a bens tombados do Centro Histórico de Manaus, como o Mercado Municipal, Teatro Amazonas e Porto Organizado, todos tombados em nível nacional, além de vestígios arqueológicos. Como o estado não providenciou as autorizações necessárias junto ao IPHAN, o projeto pode sofrer outras alterações aumentando o custo apresentado.

7 – Do estouro no prazo de execução

No caso, já em janeiro de 2011 o Ministério do Esporte monitorou que a previsão da obra seria em ABRIL DE 2014. Considerando que já estamos em MARÇO DE 2011, fica evidente que não há prazo de conclusão da obra até os Jogos Mundiais de 2014.

Os estudos técnicos deixam claro ser altamente temerária a tentativa de se implementar tal obra, pois não será atendida a finalidade, seja por ausência de funcionalidade, seja por não atender a capacidade de passageiros que justifique o bilionário dispêndio de recurso público.

As preferências individuais do gestor e seus compromissos políticos não podem ir de encontro ao interesse primário da administração pública.

Mubarak amazônico?

Por Arthur Nascimento

Não poderíamos abrir esta edição sem falar do assunto mais comentado em nosso estado na última semana e um dos mais citados nas redes sociais. Assunto esse que rompeu fronteiras e esteve presente em grandes veículos de comunicação Brasil afora.

Gostaríamos que este assunto fosse bom, que nossa região fosse lembrada de forma positiva pelo resto do Brasil. Infelizmente não é. As declarações exaltadas do ex-governador do estado e hoje prefeito de Manaus, Amazonino Mendes repercutiram nos sites UOL, G1, IG, Terra, Estadão, Correio da Bahia e Diário do Pará, além de ser um dos assuntos mais comentados no twitter. Nada mais justo que nós, amazonenses também déssemos espaço ao ocorrido.

Após discutir com uma moradora de uma área de risco na comunidade Santa Marta, zona norte de Manaus, o prefeito Amazonino Mendes não gostou da postura da moradora e proferiu a polêmica frase: “Então morra, minha filha! Morra!” O que já não estava bem, ficou ainda pior. Ao perguntar de onde é a moradora, ela responde: “Do Pará” ele diz: “Então pronto, está explicado”…

Somos conhecedores que amazonenses e paraenses possuem histórias de chacotas e problemas sociais entre eles. É triste e vergonhoso quando isso ultrapassa todas as barreiras e se torna um preconceito inútil. Independente de raça, cor, origem, preferencias sexuais, e credos, o que deve prevalecer é o respeito uns aos outros.

Envolvido na política desde 1983, quando assumiu a prefeitura de Manaus, Amazonino Mendes não parou de se envolver em confusões. Em 1997, a revista Veja publicou “Pororoca de Escândalo”. Na matéria a revista levanta várias acusações ao então governador, tais como a de ser ele o verdadeiro proprietário da construtora Econcel e de estar ligado ao assassinato do empresário Samek Rosenski, dono da fábrica de relógios Cosmos, assassinado em São Paulo. Ainda em 1997, a revista Isto É publicou a matéria “Faroeste Amazônico” onde acusa Amazonino de envolvimento com o narcotráfico na região Norte.

Neste ano onde os protestos no Egito e críticas ao ditador Hosni Mubarak acarretaram na renúncia do chefe de estado, nos deparamos aqui, com um assunto polêmico envolvendo um dos políticos mais antigos do Amazonas. Em qualquer país, um pouquinho mais sério que o nosso, Amazonino Mendes já teria sido forçado a renunciar, mas como estamos falando de Brasil, isso vai passar em branco, como muitas coisas passam no país inteiro, até serem esquecidas pela sociedade. Seria Amazonino Mendes uma espécie de Mubarak amazônico?

Grandes Desafios Para a Competitividade da Zona Franca de Manaus

Por Tiago Gabriel

As organizações vêm passando por profundas mudanças periodicamente. Vive-se, hoje, na era da   informação, em que a velocidade das mudanças é frenética devido a diversos fatores inerentes as organizações, mesmo naquelas instaladas em regimes de governos e políticas econômicas diferentes a que é exercida, mais igualitariamente, no mercado ocidental. São mutações, de cunho econômico, social e político, que tornam o mercado cada vez mais análogo.

A similaridade no oferecimento de produtos e serviços faz com que as organizações empresariais inovem, sejam pró-ativas, que criem necessidades nas pessoas, que aperfeiçoem cada vez mais os seus bens e serviços, aplicando ferramentas de gestão que possibilitem redução de custos e que agreguem diferencial competitivo, diferencial que necessita ser exacerbado nas empresas que estão instaladas no Pólo Industrial de Manaus (PIM) pelas peculiaridades existentes na região amazônica.
A trajetória do Pólo Industrial de Manaus, percorrida durante os seus 43 anos de existência, está atrelada a inúmeras dificuldades sociais, mudanças econômicas e batalhas políticas, o que modificou por diversas vezes a forma de atuação das empresas instaladas na região e que recebem incentivos fiscais dos governos federal e estadual, e administrados pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA).

Um grande passo foi dado, para as empresas que ainda não tinha percebido a importância das ferramentas de gestão, mais precisamente ferramentas e métodos da qualidade, quando se passou a  exigir, por parte dos órgãos responsáveis pelo gerenciamento e controle dos incentivos fiscais, que as empresas implantassem umas das ferramentas básicas da gestão da qualidade, ISO 9001,  sendo, essa iniciativa, de substancial importância para despertar no empresariado local a importância de ferramentas, métodos e processos, como essa certificação, para o fortalecimento da indústria local, agregando valor e um diferencial competitivo, e o interesse pela utilização e implementação de todo um sistema de gestão que permita o mercado amazonense manter-se competitivo em relação aos outros grandes centros de produção que adotam diversas outras ferramentas que possibilitam efetivos resultados positivos.

Houve grandes avanços em algumas organizações em relação à percepção da importância da implementação de modelos de gestão como ferramenta competitiva. Mas como foi identificado através de pesquisa e vivenciado em algumas empresas, que terão suas identidades mantidas em sigilo por questões éticas, algumas dessas organizações abordaram, e ainda abordam essa temática apenas como uma obrigatoriedade para sua permanência no portfólio de empresas que se beneficiam dos incentivos fiscais. Empresas que não souberam identificar a extrema importância, e os benefícios imensuráveis para a excelência em gestão.

Analisando referências conceituais, e como o termo foi historicamente empregado,  identificou-se que o conceito de qualidade ainda é abordado, por algumas empresas, como nos primórdios da era industrial em que a qualidade nas indústrias era tratada como um setor em que especialistas limitavam-se a inspecionar os produtos acabados em sua totalidade para evitar que, ao chegar ao cliente, estivessem isentos de erros ou falhas, mas que não reduzia custos referentes ao reparo dos produtos. Esse processo apenas identifica um erro que já ocorreu e o prejuízo financeiro foi então contabilizado.

Passando a operar em larga escala de produção, visto que as empresas são bastante cobradas com relação a prazos, não haveria tempo hábil para que houvesse inspeção nas mercadorias em sua totalidade, outrossim, ocasionaria prejuízo econômico para a empresa, foi quando adotou-se técnicas de amostragem, que reduzem o tempo de inspeção consideravelmente. Sendo essas técnicas ainda utilizadas por algumas empresas, como foi vivenciado em 2 anos por esse que vos escreve, os responsáveis pelo setor da qualidade são operadores de linhas de produção que apenas são incumbidos de realizar a verificação dos produtos através da técnica de  amostragem, ignorando completamente ferramentas, processos e metodologias da gestão da qualidade.

Através de intensas pesquisas foi possível identificar, também, que não são todas as organizações do Pólo Industrial de Manaus que, tão somente, estão interessadas nos incentivos fiscais e focadas na geração de mercadorias para a sua consequente comercialização, e que ainda geram produtos e prestam serviços com métodos arcaicos e que incumbe uma empresa a ter prazo de validade.

Ainda que muitas das empresas operem da forma supramencionada, existem empresas que são modernas, não somente se tratando de maquinário, o sentindo físico, mas de técnicas e procedimentos que visam a excelência em gestão. A MASA é uma organização, com fins lucrativos, referência nacional quando se cita modelo de gestão focada na excelência, sendo ela localizada em Manaus.

Através do processo de benchmarking, a empresa criou o seu próprio modelo, o Modelo de Gestão MASA,  como referência os conceitos da Gestão pela Qualidade Total, o Modelo de Excelência em Gestão da Fundação Nacional da Qualidade, e utiliza o SGI – Sistema de Gestão Integrada como método da operacionalização das suas estratégias organizacionais.

São muitas as empresas que ainda resistem em métodos e definem Qualidade como no início do século XX, atrelada a essas atitudes tradicionalistas, está a dificuldade de percepção, que as impedem de  visualizar as possibilidade de crescimento empresarial quando utilizada essas metodologias.

Dificuldades estruturais

Esse modelo de gestão funciona e depende sistematicamente de um macrosistema que enfrenta dificuldades, a estrutura logística, que, na região, é considerada precária comparada aos outros grandes centros de produção.

O escoamento de mercadorias é feito de forma limitada, segundo estudos da LCA Consultores, a estrutura logística do país é uma das piores do mundo. As empresas que estão localizadas na região utilizam o modal de transporte mais oneroso, o aéreo, e que não suporta mais a contínua demanda por insumos e mercadorias acabadas, visto que o sistema rodoviário não é interligado com o resto do país, e a possibilidade de transporte fluvial é sazonal,  devido a vazante dos rios, as empresas ficam impossibilitadas de transportar contêineres por navios cargueiros em sua totalidade de armazenamento.

O que delimita ainda mais nossa competitividade é a precariedade na prestação de  serviços básicos como a energia elétrica que, de acordo com dados pela Eletrobrás Amazonas Energia, é insuficiente para atender  a demanda da capital e que torna-se ainda mais limitado entre os meses de agosto e novembro, meses em que as empresas aumenta a sua produção para atender a demanda de natal. O valor da banda larga no Amazonas tem o custo 800% superior aos demais estados da Região Norte, de acordo com pesquisas realizadas pela Federação  do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas (FECOMÉRCIO).

Caso melhorias não sejam realizadas o futuro da Zona Franca de Manaus está comprometido, o que a peculiariza como um centro de produção que possui data de validade, 2033, ano em que foi estabelecido como limite para concessão de incentivos fiscais. O Amazonas depende desse modelo para o seu desenvolvimento, apesar de, segundo o economista Rodemarck Castello Branco, professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), afirmar que a dependência do estado em relação ao PIM reduziu ao longo dos últimos 20 anos, já que Manaus cresceu como uma cidade de serviços, afirmando que de 1997 para 2006, o porcentual arrecadado do ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) caiu de 61% para 52,3%, enquanto o de serviços e comércio saltou de 39% para 46,6%, confirmando a necessidade de manutenção do modelo industrial e modernização, para que, mesmo depois do prazo estabelecido para a concessão dos privilégios tributários, a Zona Franca e o estado cresçam de forma perene.

É de se refletir que devido à supracitada precariedade logística da região, a inexistência de políticas públicas de melhorias dos serviços básicos para a efetiva operacionalização dessas empresas, a falta de profissionalismo de algumas indústrias quando da aplicação dessas metodologias e processos de gestão, não somente na teoria, mas também na prática, que o futuro do Amazonas é incerto, podendo em 2033 perder o seu principal gerador de receitas.

Com comprometimento dos setores público e privado, sem egocentrismo e vaidades políticas, no investimento de soluções infra-estruturais e na aplicação dessas metodologias de forma efetiva, além de investimento no potencial turístico ecológico da região como alternativa ao modelo industrial, não seria mais necessária as constantes guerras fiscais que alguns estados travam contra o modelo Zona Franca. O estado estaria em condição mais confortável, com bases sólidas pra um desenvolvimento firme e constante, concorrendo, estrutural e tributariamente, com  todos os grandes centros produtivos do país, de maneira potencialmente competitiva.